Um mês fora, uma mudança dentro | Parte 06: Quando estamos de férias

Um mês fora

Existe uma certa obrigação em viver momentos positivos quando você diz que quer “aproveitar as férias”.
Você acorda sabendo que aquele dia tem que ser especial, afinal, faz dois anos e muitos sacrifícios financeiros que você espera por ele.
A busca pela felicidade chega ser engraçada e você se pergunta: Por que diabos estou tão preocupada em fazer tudo ser tão bom? — e é na pergunta óbvia que nasce a resposta.

Nós somos os responsáveis pela nossa felicidade em cada dia das nossas vidas. 
Por incrível que pareça, só nos lembramos dessa cobrança pessoal quando deixamos de lado nossos prazos, contas, obrigações e problemas.
A rotina é sufocante sim. E pior, muitas vezes ela sufoca nosso principal motivo de viver (que, no caso, é viver).

Eu passei um mês acordando todo dia e dizendo:
- Hoje vai ser incrível.
E oh: foi.

Uma mudança dentro

Em “How I meet your mother” há uma fase em que a Robin viaja para Argentina e volta outra pessoa.
Em resumo, cheio de spoilers: ela volta diferente, querendo viver em todos os dias aqueles momentos incríveis. Até que em um momento, ela percebe que aquela era a “Robin de férias” e volta a desejar ser a “Robin de sempre”.

Nós somos sim pessoas diferentes nas férias: tiramos das costas todos os problemas da rotina e nos permitimos viver só a parte boa das nossas vidas.
Eu era sim mais legal nas férias: mais leve, mais divertida e disposta.

Eu voltei de viagem e cai de cara com a minha rotina, com meus problemas, minhas contas. 
Já no dia seguinte da volta, me lembrei que a vida real tem dois lados: 
Um bem bom e um bem ruim (e, diferente do que fiz nas férias, eu tenho que conviver com ambos).

Eu percebi que aquela menina do um mês acordando com “Hoje vai ser incrível” era a “Raisa de férias”. 
Mas eu também percebi que cabe a “Raisa de sempre” colocar no meio de todas as obrigações do dia-a-dia, a obrigação de lembrar de fazer cada dia, por pior que seja, ser incrível.

E oh: tá sendo.

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