E lá vamos nós

Esta semana fiz um curso express de redação criativa. Foi o primeiro do tipo em toda minha vida.

A última vez que alguém havia me orientado sobre como escrever foi na escola, há mais de 15 anos. Foram também as únicas aulas que tive sobre o assunto, de modo que, como vocês podem imaginar, foram muito poucas, muito fracas e muito superficiais.

Apesar disso, a vida toda me disseram que eu escrevo bem — e eu acreditei. E aqui vem a parte interessante: "você escreve bem" funcionava como um carro para quem não consegue dirigir: me aterrorizava. Me botava num pânico ansioso como aquele causado por problemas que a gente finge que não tem e esconde no porão do cérebro. Então, por 15 anos, eu preferi não ir além e investir nesse "você escreve bem" porque talvez, no fim do processo, eu descobriria que não escrevo bem. Que eu, na verdade, faço parte do imenso contingente de escritores medíocres que dominam o mundo com sua arrogância, vomitando aos quatro cantos que escrevem BEM — quando isso está há léguas de distância da verdade.

Eu tinha muito medo de descobrir que não escrevo bem porque daí não me sobraria talento algum.

Não sei pintar, desenhar, tocar qualquer instrumento. Não cozinho, bordo nem sou excepcional em esportes. E, pelo amor de dels, não digam que eu sou uma ótima publicitária, porque minha profissão NÃO É o meu talento. Não pode ser.

Meu amigo e roteirista Diego Tavares se (nos) consola lembrando que Woody Allen escreveu "Annie Hall", seu melhor filme, quando já tinha 44 anos.

Contudo, vejam bem: eu não quero esperar até os 40 e tantos, 50 e tantos, 60 e tantos para descobrir no que eu sou boa de verdade.

Então, na semana passada, eu resolvi pagar para ver — literalmente, porque o curso não era gratuito. E, se não fui uma aluna notável, também não fiz tão feio quanto minha baixa autoestimava imaginava. Além disso, me deu o principal: um farol no mar escuro da minha insegurança, oferecendo uma direção para focar meus esforços. Porque no fim do trajeto, me parece, há um porto seguro, um ancoradouro qualquer onde as palavras poderão atracar.

Portanto, se segurem aí e me desejem sorte. Não vai ser fácil, mas, pela primeira vez, eu estou pronta para tentar.

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