Para F.

Espero nunca mais ver a sua cara

Estou mais cansada que o normal nesta semana. Foi longa, emocionalmente exaustiva e ainda não terminou.

Eu chorei todos os dias. Eu me questionei todos os dias. Tive pesadelos, senti a alma fugindo do meu corpo pela água do banho, passei por algumas das piores conversas de que me recordo.

Meu apartamento de repente ficou imenso. E nunca, nunca me senti tão irremediavelmente sozinha quanto agora. Sozinha quando estou cercada de gente, mas também completamente sozinha quando estou no quentinho da minha cama.

Eu queria alguém para passar a mão nas minhas costas enquanto escondo o rosto lavado de lágrimas no travesseiro. Para afastar meu cabelo enquanto meu corpo é atravessado por um choro sofrido, triste, baixinho e doído.

Mas não tem ninguém lá.

No último sábado, entretanto, você estava lá. Você estava no quarto ao lado. Você ouviu meu grito, a porta do banheiro batendo, o choro convulsivo de 40 minutos. Você me ouviu sair do banheiro, pedir água, chorar mais um pouco e, por fim, dormir extenuada.

E você se levantou no dia seguinte, mandou mensagens se desculpando sobre ir embora cedo, que estava atrasado para mais um de seus programas recreativos com amigos.

Você escolheu ignorar todos os sinais de que algo muito errado estava acontecendo no quarto ao lado. Ouviu grito, ouviu choro e optou por não fazer nada.

Você escolheu me ignorar. Você também arrancou um pedaço de mim. Também cortou minha decência, também partiu minha autonomia. Também rejeitou minha identidade. Também destruiu minha história.

A minha longa e exaustiva semana termina aqui, assim como a minha relação com você. Hoje eu vou tomar um longo banho de banheira, bebendo uma taça de vinho, e vou maldizer a sua existência uma última vez.

E então eu vou esquecer você para sempre.

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