Presentear o presente

hoje na tok e stok eu deprimia, pensando na casa que montei e deixei pra tras. Meus pratos vermelhos, meus copos kitsch de eterno champagne, meu avental maior que eu, tudo aquilo e eu sem saber se tinha volta. Pensando quando cheguei a Toulouse aos prantos, vendo o Canal do Midi e François Verdier e me dizendo que era certeza de que tudo aquilo pertencia ao passado.

Me perguntando o que a vida me reservava para minha proxima casa. Que copos tão caros. Quando, meu Deus, quando, Oxala que logo, mas se logo seria melhor ajustado? Não sei, o futuro não se revela pra gente tão facil. O meu futuro é de surpresa, é camino que se hace al andar, e eu tô cansada olhando pra tras, mas ja me levantei e ja descalcei os pés, porque quero sentir o caminho.

E ai nesses tempos resolvi presentear meu presente, porque é nele que eu vou inspirar meu futuro. Por falar em pés, me comprei umas pantufas que parecem resumir em um deseinho toda a bagunça que me acomete. Elas me confortam os pés, também. E comprei uma velinha que cheira a algodão para acalmar o meu sono. Porque ele é sagrado, preciso dormir e sonhar, e acordar e lutar.

Presentear meu presente com coisa que se compra, que se sente e se observa. Que se agradece, porque ha muito a agradecer. O presente se transforma, sempre. O passado muito menos. O futuro a gente constroi um pouco, torce um pouco, mas ele vem e a gente tem que estar com fôlego quando vier, como vier.