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fonte: https://www.crisburmester.com/Documentary/Workers/i-2qwJnvf

Coincidência ou não, ao longo do semestre tivemos três encontros com fotógrafos, cada um partindo de uma abordagem completamente diferente em relação a fotografia. Digo isso porque, enquanto escrevo este relato em retrospectiva, me chama a atenção a peculiaridade do olhar de cada um desses artistas em relação a arte de fotografar.

Cristiano trouxe para a nossa conversa um panorama da história da fotografia. Fotografo e foto-jornalista de carreira consolidada, além de falar sobre a sua trajetória de vida: indo da formação em economia para a vida dedicada ao fotojornalismo, César pontuou a questão da transição do analógico para o digital. Guardei esse ponto em meu caderno, porque me chamou a atenção um de seus ensaios pessoais: retratos de trabalhadores que fazem trabalhos manuais que estão desaparecendo. De relojoeiros a mecânicos de máquina de escrever, passando por um gráfico que faz cartazes de forma analógica nos Andes. …


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Claudia Mongadouro é Cineclubista e pesquisadora. Fundadora do cineclube Cinema Paradiso, trouxe para a conversa um pouco de sua trajetória como pesquisadora e cineclubista além de um panorama muito interessante da história dos cineclubes. …


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Laís é artista e arte educadora. Seu trabalho poético trás a tona questões de gênero, sexualidade e raça de forma sensível, através de um recorte pessoal e cotidiano.

Este é o segundo momento no semestre em que temos contato com a trajetória de uma artista que está em processo de formação, e sinto que estes contatos são particularmente revigorantes para nós, que também estamos em processo de formação. …


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Fonte: http://www.andrebueno.com.br/

André Bueno é fotojornalista e educador. Sua trajetória, apresentada para a turma ilustra a inquietação que se tornou fio condutor de uma jornada coesa entre fotografar e educar o olhar de quem vê. Seu trabalho autoral busca o recorte das ruas e das margens da cidade. Nas imagens há uma busca pelo humano, trazendo a tona personagens que normalmente não podem se ver retratados. É consciente a preocupação com este recorte, e não é a toa que seu trabalho como educador caminha junto ao seu trabalho autoral como fotografo.

A conversa com André despertou diversas questões interessantes para a Educomunicação e dentre elas destaco: a potência da fotografia como ferramenta de expressão; o trabalho de educação do olhar através tanto do fazer fotográfico quanto do contato com a fotografia; o trabalho de empoderamento de comunidades marginalizadas através do retrato e da expressão artística e etc. Mas destaco aqui outra reflexão que a trajetória de André me despertou: a da relação educador-artista. Existem muitas frases repetidas por gerações que dizem sobre este lugar comum do professor como alguém que “falhou” em outra área. “Quem sabe faz, quem não sabe ensina”, diz a frase tão repetida, e que é um estigma que persegue particularmente os arte-educadores. Nesse sentido, a coerência entre a produção autoral de André e seu trabalho como educador são um exemplo interessante de reflexão. Sua produção pessoal e os projetos de que participou como educador parecem constituir uma única grande pesquisa maior. Um fortalece e complementa o outro. André prova, nessa jornada que ainda está em progresso, que é perfeitamente possível encontrar um caminho coeso entre o fazer e o pensar educação e arte. …


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Toda a experiência oferecida por Elisete Leite Garcia é de uma generosidade imensa. Tudo no espaço evoca afeto. Tudo parece cuidadosamente pensado para sensibilizar. Do cuidado ao anotar cada nome e cumprimentar cada participante, a extrema delicadeza na composição da sala. Cada um dos pequenos objetos foi disposto de forma minuciosa, atenta, em trabalho que ajuda a construir o clima, subjetivo e objetivo de cuidado.

Para a minha experiência como educomunicadora, carrego do Tatadrama a idéia de sensibilização através do cuidado. É claro que o método é complexo, e cada pequeno fragmento — seja na forma da condução, sejam nas dinâmicas — vale a análise. Mas sinto que a idéia geral que me ficou, foi a desse cuidado e atenção que levam para a sensibilização. …


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É difícil não se emocionar assistindo aos relatos saudosos de “Minha avó era palhaço”, um filme que mistura uma história de família com a história do circo no Brasil. A partir da obra é possível pensar em infinidade de aspectos da nossa cultura: em questões de gênero, de classe, de raça. …


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É sempre muito bom ouvir alguém apaixonado. Essa é uma das impressões que saltam do encontro com a poetiza Renata Pallottini. Como é bom ouvir alguém que está encantado pelo mundo, principalmente nesse momento histórico de desencantamentos e desilusões. A paixão de Renata pela palavra, — e pela palavra toda: na forma, na tradição, no corpo, no conteúdo — contagia. Ela quer contar tudo: da métrica, da tradição, dos gregos, da semiótica, dos velhos poetas, dos novos, da psicanalise… Tudo é importante, porque poesia e paixão estão misturadas, são a como a mesma palavra escrita de outro jeito.

Em termos pedagógicos, o exercício de apropriação da palavra é primordial para uma compreensão profunda do mundo a nossa volta. Penso aqui nas pequenas experiências que tive nos últimos anos dando aulas. Duas experiências que me marcaram muito, e que acho que contemplam as questões que o encontro com a poetiza me despertam, foram: o privilégio de auxiliar jovens não-alfabetizados no português a escrever, e dar oficinas de escrita criativa para adolescentes. …


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Carolina Maria de Jesus, O quarto de despejo (1958)

O texto que segue é resultado de uma proposta de exercício. O desafio era dialogar este trecho descrito do Quarto de despejo, só que sob o ponto de vista do rato.


Um exercício de mergulho entre texto e quadrinhos. :)

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Sobre Loreto

Loreto não entendia de flores. Entendia sim de problemas, de frações e da variação no preço da gasolina. A última vez que tocou numa flor foi no enterro de Tereza, e quem fez o buquê foi o floricultor. Se lhe tivesse entregue um buquê de sapatos, Loreto não saberia a diferença. Passou todo o enterro pensando no livro que estava escrevendo — um compêndio de 532 páginas sobre Cálculo moderno. Era no dito livro que estava trabalhando na manhã em que Tereza foi embora. Ironia do destino, ela deixou sobre a mesa um recado em papel florido. Com letras molhadas dizia da indiferença de Loreto, da solidão daquela casa. Falava que ia embora pra não voltar. E foi, mas levada pelo acaso de um acidente de ônibus no caminho para sua cidade natal. Loreto só achou a carta na semana seguinte, enquanto organizava o velório. Jamais contou a ninguém. Para o mundo, era Loreto — o pobre viúvo cuja morte roubou tão cedo o grande amor. E cá entre nós, a viuvez lhe caía muito bem. Dava ao velho Loreto o salvo conduto para evitar desagradáveis reuniões sociais. Pelo bem de seu luto estava livre de reuniões de familia, festas de aniversário e casamentos. Andava com uma foto da falecida no bolso, retirada estrategicamente quando queria fugir de uma conversa desagradável. Estranho fato era que amava mais a esposa morta que viva. De qualquer forma, evitava pensar nisso como evitava pensar em flores. Se pensasse, talvez tivesse percebido quando o broto começou, tímido, a nascer. E do broto uma folha, e sob a folha uma flor. …

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Radhi

Essa bagunça toda.

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