Soneto ocasional

Nenhuma palavra, palavra alguma
Acho eu para descrever essa noite
Que foi pudica, lucífera e nua
Penetrante, quase como uma foice.

E pousa na minha língua o acre aroma
Do suor que escorre do seu corpo nodoso
Enquanto me prende na sua cama
Sei que plissado está todo o meu corpo.

Indeclaravelmente ainda sei que
Ao indagares meu ventre e meus beijos
Flameja dentro de mim os anseios

A sua boca entre meus seios
Será uma declaração de amor
Ou apenas uns carnais desejos?