E Esse…
E essas veias rasgadas,
Sangrando a vida
Que parece perdida,
Sem brilho e sem cor.
E esse riso frouxo,
Remete a uma graça
De um tempo que se apagou,
Sem calor, sem sabor.
E esse choro ausente,
Quase calado,
Derramado no quarto,
Sem amor e sem dor.
E esses planos traçados,
Todos papos furados,
Sem rumo ou destino
Cartas marcadas de um jogo sem vencedor,
E essa pedra lançada,
Que ricocheteia
Revidando na face,
Sem dó e sem perdão.
E essa noite insone
Encharcando os lençóis
Com suor e tristeza,
Sem luz e sem sonhos.
E essa música suave suspirada no abraço,
Sem melodia e sem voz
Que Arranha os tímpanos
E provoca um arrepio,
E esse livro aberto,
Sem frases e sem verbos
Mofando ao vento,
Esperando um leitor,
E esse palco público
Onde num ato obscuro
Encara-se a distância,
Sem enredo e sem ator.
E esse corpo que sente
Na marcha cadente
A valsa que falta,
Sem par e sem pés.
E esse baile finito,
Que chegaste ao teu fim
Pelo verso maldito,
Sem, mais nem porquê.
