Entendo
Foi no vazio que calei o pranto.
Do exílio santo em que me colocaste,
Não há mais voz, não há mais grito.
Fica o rito do infinito no aflito.
Na caneta que descansa no papel,
No cigarro queimando nos lábios do cinzeiro,
Nas taças já vazias que se amontoam
Sem as marcas de teu batom.
Afastei o tédio na busca pela melodia,
Disfarcei as mágoas na esperança,
Ignorei meus desejos e sentidos.
Abracei a chuva e a noite à procura da alvorada.
Na profecia pagã dos textos proibidos
Calei-me, já sem luz e sem coragem.
No meu andar errante pelas britas e concreto
Gastando as solas do passado e
Queimando a largada do futuro.
Prometi não antecipar os fatos.
No pressentimento certeiro do que viria.
Arranquei a pena que me estancava o peito
Deixei sangrar minhas ilusões e toda poesia.
Procuro um outro tempo,
Uma nova oração,
Novos vícios,
E um novo coração.
