Impossí(vel)bilidade
Queimar para renascer,
Ao pó ir, para do pó retornar.
Há sempre mais espaço em nossa cova coletiva;
Reinventar o olhar para finalmente,
Quando diferentemente enxergar,
Tornar-se diferente enfim.
Deixei de lado os livros vermelhos.
Sem as armas, sem a pele e agora sem a alma.
Não pode haver a força da imposição,
Apenas a vocação,
Tenho o sono da frustração
Guardo as esperanças da renovação.
Asfixia-me o desejo reprimido e intangível,
Alegra-me, contudo, uma nova libertação.
Uma vida em solitário não é contudo, isenta de paixões
Uma volta às origens e aos laços que não foram desatados
Se ao menos soubessemos o porquê de nossos atos.
O compasso dos olhos é simplesmente a contemplação
Já o dos meus passos está muito aquém do meu coração.
Mas andar é seguir e seguir, é estar sempre em um novo lugar.
Olhar para trás e se arrepender, é a entrega do suspiro que ainda resta.
Mesmo tendo feito todo o possível,
O impossível é simplesmente o infinito das possibilidades.
