Rael Marat
Jul 22, 2017 · 1 min read

O (des)compasso da fama

Vós que viveis a vida que se vive

Quando a razão da vida se esqueceu.

Vós que viveis sem vida a mesma vida

Daquele que se foi mas não morreu.

Não respondeis por isso uma só vez

Sem corar de vergonha, se a memória

De um povo ter legado, ó torpe crime,

Tão jovem filho à eternidade e a glória

A glória! Quanta ironia, a gloria.

Só vive a vida que lhe dão os cantos;

A glória é nada, um raio frio de luz.

Pousada atoa sobre um mar de prantos

Ó musa! Ouvi que procurais agora

O belo amante há muito partiu.

Foi um grito soberbo do passado

Um clarão que tremeu e se extinguiu

Não importa, pois nada mais importa,

Se a pátria nega um trono a majestade

O vulto esquecido que ali descansa,

Como um grande, despreza a caridade.

Se hoje repousa em humilde tumba

Quando outrora seu nome foi maior que os Andes.

Se a luz da fama é o fulgor dos gênios

A eternidade... o mausoléu dos grandes.