O (des)compasso da fama
Vós que viveis a vida que se vive
Quando a razão da vida se esqueceu.
Vós que viveis sem vida a mesma vida
Daquele que se foi mas não morreu.
Não respondeis por isso uma só vez
Sem corar de vergonha, se a memória
De um povo ter legado, ó torpe crime,
Tão jovem filho à eternidade e a glória
A glória! Quanta ironia, a gloria.
Só vive a vida que lhe dão os cantos;
A glória é nada, um raio frio de luz.
Pousada atoa sobre um mar de prantos
Ó musa! Ouvi que procurais agora
O belo amante há muito partiu.
Foi um grito soberbo do passado
Um clarão que tremeu e se extinguiu
Não importa, pois nada mais importa,
Se a pátria nega um trono a majestade
O vulto esquecido que ali descansa,
Como um grande, despreza a caridade.
Se hoje repousa em humilde tumba
Quando outrora seu nome foi maior que os Andes.
Se a luz da fama é o fulgor dos gênios
A eternidade... o mausoléu dos grandes.
