Rael Marat
Jul 28, 2017 · 1 min read

O ser(tão) é o homem.

Uma gota cristalina boiando junto à correnteza desvairada do impuro oceano.

Levada por mero engano ao sabor da brisa que sopra.
Não fez espuma, não fez descaso, apenas se foi, sem sequer saber de seu

desembaraço.

De braços dados, com as mãos atadas e confundindo suspiros com vontades,
Partiu.

Não deixou ao menos nem um último adeus.

Fica o dito pelo não dito naquilo que foi afinal compreendido.

As entrelinhas sempre estarão condenadas aos olhos menos distraídos.

Algumas sentenças rasgadas, tão diretas e cortantes...

Outras tão suaves e deliciosas que se perdem no ouvido.

Ontem, amanhã ou em qualquer outra variável do tempo,

Ainda assim sentirei nao ter tido o suficiente para o derradeiro TEMPO

Ficarão as palavras guardadas nas lembranças,

O convencional pelo surreal invadindo os limites da vaidade.

A névoa da noite apagando as luzes por sua própria conta,

Ofuscando a vista, ou apenas disfarçando a lágrima.

O gosto da desventura, o medo da descoberta, a quebra do sigilo,
Que finalmente todos os segredos cumpram seu destino.

Lá, bem longe, lá onde mora o último resquício de humanidade,

Justamente ali, onde tudo parece esquecido,
É o nosso lugar há muito prometido.

“O sertão é a gente mesmo, demais”