Porque eu não gostei do álbum novo do Blink-182
Antes de mais nada, gostaria de deixar claro que sou um fã do Tom Delonge. Amo Blink-182 há pelo menos 15 anos e é provavelmente a banda que eu mais ouvi até hoje. Quando a banda entrou em hiatus, em 2005, e o Tom começou o Angels & Airwaves e o Mark partiu pra tentar sucesso com o Plus 44, a internet (e eu também) se dividiu. De um lado, tinha o pessoal que não perdoava o Tom pelo fim do Blink (e que até hoje não perdoam) e do outro lado o pessoal que entendia as motivações dele pra ousar e mudar. Eu resolvi dar uma chance pro Tom e pro AvA. We Don’t Need to Whisper é um álbum sensacional, das melhores coisas que o Tom já fez na vida. O I-Empire fica um pouco abaixo, mas não deixa de ser um álbum muito bom. Mas não é sobre o Tom Delonge que eu quero escrever. A ideia é falar sobre o California, disco novo do Blink, porém achei importante justificar minhas futuras opiniões com essa breve introdução.
Quando o Mark e o Tom anunciaram que o Blink-182 tava de volta, admito que fiquei meio em dúvida do que iria vir. Pra mim, o auge da banda foi em 2003, no Self Titled. Ali o Blink tinha atingido a maturidade, tanto nas composições quanto na parte instrumental. É meu disco favorito da banda, o que eu recomendaria pra qualquer um que não conhecesse a banda. Mas muita gente vê esse como o pior disco da banda, como o ‘álbum menos Blink de todos os tempos’. E eles dão motivos pra isso. Pra esses fãs, o Blink legal era aquele quando eles falavam palavrões e agiam como se fossem adolescentes. Então, quando eles deixaram de agir como adolescentes, era de se esperar que eles iriam odiar tudo que não fosse relativo à essa fase. Daí, em 2011, saiu o Neighborhoods e achei um álbum bastante meia boca, sem nada de muito genial ou inovador, porém gostei de algumas músicas que, na essência, lembravam o trabalho que o Tom vinha fazendo no AvA. Aí, em janeiro de 2015, o Tom anunciou sua saída do Blink, para focar em projetos fora do mundo da música. E eu pensei que a partir desse momento, não existiria mais Blink-182.
Mas o Mark Hoppus e o Travis Barker acharam que o Blink ainda podia continuar e convidaram o Matt Skiba, que tocava no Alkaline Trio, pra substituir o Tom. Fiquei bastante receoso quando saiu essa notícia, não só por achar que o Delonge era insubstituível, mas porque não conhecia nada do Skiba. Quando o primeiro single gravado com a nova formação, Bored to Death, saiu, eu fiquei com um pé atrás mas resolvi dar uma chance para a música, e para a banda. Das primeiras 3 ou 4 vezes que ouvi, não vi muito potencial na música. Mas depois, a canção me pegou. Gostei do instrumental, bem característico do Blink, a letra é bem boa e os vocais do Matt são bem legais, talvez pelo fato dele acabar parecendo (conscientemente ou não) com o Tom. A partir daí, fiquei bastante esperançoso com esse cd novo, o California.
No dia 1 de julho de 2016, saiu o tão aguardado disco. A primeira música, Cynical, é bem boa, lembra o que foi feito em Go, do Self Titled. Bored to Death é, pra mim, a melhor música que o Blink compôs em anos. She’s Out Her Mind é uma boa música, mas não convence, não chama a atenção. Los Angeles tem um bom refrão, mas não é muito mais do que isso. Se eu escutasse Sober sem saber que é do Blink, eu nunca acharia que é uma música da banda. Lembra algo que o Fall Out Boy faria nesse momento de banda quase acabando pelo qual eles passaram, não nada Blink-182. Built This Pool têm 17 segundos, fica meio complicado fazer qualquer análise mais profunda desse trecho. No Future é uma música que segue o padrão utilizado na maioria desse cd, com o Mark cantando a primeira parte, Mark e Matt cantando o refrão juntos e em seguida o Matt canta a segunda parte, e não é uma música que conseguiu mexer comigo, apesar da bateria do Travis estar impecável como sempre. Vale ressaltar que o Travis parece ter atingido seu auge como baterista nesse cd. Eu gostei de Home is Such a Lonely Place, de verdade. É uma boa música, apesar de só ter os três instrumentos no trecho final, a parte inicial da música, só com o violão, é bem cativante. Eu tava ouvindo Kings of the Weekend enquanto escrevia essa parte e nem percebi que a música tinha acabado. Acho que é uma boa maneira de falar sobre essa canção. Teenage Satellites é outro oásis no meio de um deserto de boas músicas. É uma música que convence que esse “novo Blink-182” tem potencial pra fazer coisas boas, desde que sigam por essa linha. Left Alone é boa o suficiente pra eu fazer meu corpo balançar no ritmo da música, mas também não é muito melhor do que isso. Parece que eles deixaram o melhor pro final do cd, porque Rabbit Hole é uma ótima música, do começo ao fim, não deixando eu sentir falta do Tom. Pode parecer estranho, mas nessa nova fase da banda, esse vai ser um dos critérios pelos quais vou julgar as músicas. O Blink-182 era uma coisa com o Scott Raynor na bateria, antes do Travis entrar. Quando o Travis passou a fazer parte da banda, o trio se tornou algo totalmente diferente, atingindo níveis que nem eles acreditavam que poderiam chegar. Agora, com a saída do Tom e entrada do Matt, é outra mudança imensa no jeito como as coisas funcionam. A composição vai ser diferente, os shows vão ser diferentes, tudo vai mudar, tudo está mudando. Então é natural que eu faça esse tipo de comparação, pelo menos no começo, mesmo sabendo que não é justo com o Matt, que vai ter que carregar todo esse peso nas costas.
San Diego é uma boa música, nada particularmente excelente ou na qualidade das outras 3 que vêm antes, mas boa. The Only Thing That Matters é uma música legal, mas não é aquela música que você adicionaria em uma playlist do Spotify ou colocaria na lista de reprodução do iTunes pra ouvir repetidas vezes no celular enquanto vive a vida por aí. A faixa que dá título ao disco, California, é uma música mais lenta, assim como Home is Such a Lonely Place, mas não é tão boa quanto. Não é uma música com a cara do Blink, seja qual for a cara da qual a gente esteja falando: da fase inicial com o Cheshire Cat, de quando eles faziam sucesso mundial com o Enema of the State ou do ‘emo’ no Self Titled. Brohemian Rhapsody tem só 30 segundos, mas merecia muito mais do que isso. Se eles seguissem essa vibe em todo o álbum, California seria bem melhor do que realmente é.
De qualquer forma, não acho que California seja um álbum ruim. Daria uns 6,5 pro disco como um todo, visto que a média das canções não me convencem como ‘músicas boas’. Talvez eu não tenha gostado por ainda ser fã do Tom e ter achado uma merda o Mark continuar com a banda depois da saída dele, mas acredito que não gostei do disco pelo simples fato dele não ser bom.