Ainda não me encontrei — e nem pretendo

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Há uns meses atrás eu participei de uma entrevista de emprego, e não vou mentir aqui: apesar de ter um grande carinho pela empresa que me entrevistou, a vaga não era exatamente o meu maior sonho de carreira. Mas por necessidades relacionadas à meu antigo emprego, eu fui.

Fiz a entrevista como todo mundo que anseia por uma vaga, fui sincero e objetivo, claro nos meus valores e firme nos meus propósitos. “Te damos a resposta em alguns dias” — como de praxe. E fui embora, de certa forma, confiante.

Eis que se passa uma semana. E nada. “Oi, fiz uma entrevista aí e queria saber a resposta” era o que dizia meu e-mail. “Ah, só mais alguns dias” era a resposta. E na segunda semana, ela veio. E veio de um jeito que eu realmente não esperava.

“Oi, Rafa. Então, a gente acredita que essa vaga não seja pra você porque você ainda não se encontrou, parece.” Pois é. O fato de gestores de vagas ou diretores de áreas de empresas se acharem “bons demais” pra profissionais mais jovens é um assunto pra outro texto (e que felizmente eu não sofri com os diversos gestores com os quais trabalhei), mas o caso aqui é: você ainda não se encontrou.

No caso, falamos sobre se encontrar na profissão. A área da publicidade têm diversas “áreas internas”. Você pode ser planejamento, atendimento, criação, GP, web, etc etc etc. E, de fato, quem olha pro meu currículo hoje acha que eu não me encontrei.

A questão é que eu não me encontrei mesmo. E nem pretendo.

Eu quero, sim, ser um ótimo publicitário. E eu gosto de criação, de social media, de planejamento. Mas eu também quero ser um ótimo músico. Quero ter uma banda, quero fazer shows de três horas em estádios lotados. E eu também quero ser youtuber, quero ter meu canal, falar sobre o que gosto, participar de eventos, ter fãs.

Pra que eu vou querer me encontrar, se “me encontrar” significa parar de fazer tudo que eu realmente gosto de fazer e me dedicar a fazer o que outros dizem que eu deveria fazer? E não fazer praticamente mais nada?

Em um mundo onde precisamos escolher o que queremos fazer pelo resto de nossas vidas com só 18 aninhos, exigir “auto conhecimento” de alguém com 22 anos parece mesmo meio esquizofrênico. Pra que tanta pressa? Pra que tanta certeza sobre tudo?

Convenhamos, todo mundo sabe que ter foco é o melhor caminho pra se aperfeiçoar em algo. Mas e se eu quiser me aperfeiçoar em mais de uma coisa? E além: e se eu não quiser ser perfeito em nada que não seja música e games? E se eu não quiser ser perfeito em nada — mesmo — e ainda assim ser feliz?

Nós temos mais de mil exemplos pra dizer que profissionais que são bons em mais de uma coisa são requisitados no mercado. Os chamados “profissionais completos”.

Pode ser que hoje eu queira ser social media. Pode ser que amanhã eu queira ser criação. Pode ser que depois eu queira ser músico. A vida não é uma linha reta — nada garante que daqui a 15 anos eu não possa mudar tudo e me tornar, sei lá, biólogo.

Eu digo, pare de tentar ser perfeito. Pare de ser completo. Deixe o barco fluir.
Tyler Durden

Eu espero nunca me encontrar, as pessoas que se encontram devem ser realmente entediantes.

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