Starter Pack do escritor de internet

Sem desculpas. Eu voltei.

Já faz algum tempo que invento desculpas para não voltar a escrever com frequência.

Nos últimos anos, sempre comecei janeiro falando que “dessa vez eu volto a escrever no meu blog”. E até que conseguia manter o prometido… por uma ou duas semanas no máximo.

Sentava em frente ao computador e as palavras simplesmente não saiam. Me peguei em uma situação em que não tinha absolutamente nada para falar.

Isso acontecia somente nos meus textos pessoais.

No meu trabalho, frequentemente preciso escrever vários tipos de conteúdos.

Desde posts a e-mail marketing, até um e-book eu cheguei a escrever no meu emprego, mas um textinho simples para o meu blog ou perfil aqui do Medium era uma grande tortura.

Sem contar o artigo científico para a conclusão da minha pós. Ou seja, o problema realmente era no âmbito “pessoal”.

Não sei se isso tem a ver ou se foi uma desculpa tão boa que acabei assimilando como verdade, mas desde que fiz o meu TCC da graduação, lá em 2008, nunca mais tive o mesmo ânimo para escrever.

Foi como se toda a minha vontade e paixão pela escrita tivesse sido sugada por aquele trabalho.

Talvez eu também tenha ficado um pouco traumatizado, pois em meio a esse período eu passei por uma fase muito difícil na vida pessoal.

Bom, tudo isso é apenas especulação.

Eu nunca procurei um psicanalista para conversar. E se um dia eu começar uma terapia, provavelmente o meu bloqueio de escritor será um dos últimos assuntos a ser abordado.


Tem também toda a questão que já abordei em um outro texto sobre como a escrita, principalmente aquela voltada para blogs, se tornou cada vez mais comercial com essa coisa de “produtividade”.

Desde o boom do marketing de conteúdo e inbound marketing no Brasil, parece que só pode ter blog quem quer ganhar dinheiro ou atrair visitas para o funil de vendas.

É uma preocupação absurda com SEO, link building, persuasão textual e copywriting que o simples ato de escrever por escrever sobre qualquer assunto ficou de lado.

Não é atoa que hoje todo mundo quer ser youtuber. Escrever se tornou um sacrifício e algo chato.

Mas eu ainda gosto dessa coisa de palavras formando textos.

Por isso passo cada vez mais tempo no Medium do que em blogs. E a tendência é que eu mude de vez pra cá.

Parece que agora estou conseguindo voltar aos poucos. Devagarzinho, como se estivesse em um processo de reabilitação.

2018 está sendo um ano de muitas mudanças na minha vida. Principalmente de hábitos.

Começou por uma questão que me incomodava profundamente, e que agora incomoda razoavelmente. Como tive sucesso nessa mudança, resolvi que também tentaria voltar com o meu hábito de escrever.

Dessa vez não fiz nenhuma promessa. Apenas me comprometi a escrever toda semana, o máximo que puder.


Desde que eu comecei a me aventurar pelos livros fora da obrigatoriedade da escola, tive essa coisa de “um dia vou escrever um livro”.

Já comecei várias histórias e nunca terminei. Dificilmente passo das 50 páginas. E esse foi o meu recorde. Uma pena ter perdido o arquivo.

Mas sinto que agora vai. Mesmo que seja um livro escrito por mim e para mim, tenho a sensação de que dessa vez vou concluir esse objetivo.

Estou escrevendo todos os dias, sem seguir nenhuma das regrinhas manjadas sobre o assunto.

Não estabeleci um número de palavras ou capítulos por dia. Apenas escrevo.

Tem dias que dedico à partes da história ou algumas observações e anotações sobre cenas que gostaria de incluir em algum momento.

Não fiz nenhum planejamento como o outline do livro. A história simplesmente está na minha cabeça.

Já faz algum tempo. Porque ela tem muito de mim e muito das coisas que influenciaram a minha vida.

É claro que não se trata de uma autobiografia não autorizada. Mas sei o que quero contar e como contar. Só preciso encontrar as palavras certas entre a primeira letra e o último ponto final.


Nos últimos dois anos devorei todo e qualquer tipo de livro sobre escrita. De livros técnicos à livros de dicas, passando por biografias de alguns escritores, fui absorvendo tudo o que podia sobre o assunto.

Inclusive, se você reparar aqui no meu Medium, vai perceber que a maioria das publicações e pessoas que sigo são escritores ou voltadas para a escrita.

E o melhor deles, sem a menor dúvida, foi Sobre a Escrita, do Stephen King.

Se tem um autor que eu li absurdamente nos últimos anos, essa pessoa foi o Rei. Um cara que escreve de dois a três livros por ano, desde os anos 70, não pode estar errado quando nos diz que devemos “escrever uma palavra de cada vez”.

Também coloquei outras recomendações simples em prática como deixar o computador em um canto, não deixar a televisão ligada e e não ter um telefone por perto.

Provavelmente o meu quarto não tem tantas distrações quanto a casa do Stephen King, mas tento me concentrar ao máximo na hora de escrever.


Acredito que o primeiro passo concreto que dei para retomar a minha escrita foi comprar um notebook novo.

Há alguns anos eu adotei um desktop como computador principal.

Porém, ao passar o dia todo em frente a um computador no trabalho, a última coisa que eu quero quando chego em casa é ter que ligar o meu computador e começar a escrever ou fazer qualquer outra coisa.

Quando decidi que voltaria a escrever, procurei um notebook que fosse leve, pequeno e com um preço acessível.

Buscava realmente um notebook que pudesse escrever em casa ou levar para qualquer outro lugar sem que tivesse muito trabalho pra isso.

O principal era não custar um rim. Ou seja, não comprei um macbook.

Como disse acima, talvez seja alguma questão psicológica que tenha bloqueado a minha escrita, mas ao começar a usar o notebook como uma ferramenta as palavras simplesmente começaram a sair.

Estou tentando exercitar o músculo da escrita diariamente e não garanto que vou conseguir.

Parece que atrofiou depois de tanto tempo. Mas enquanto as palavras fluem da minha cabeça para os meus dedos, estou aproveitando para publicar alguns textos por aqui.

Até o momento parece que está dando certo. Podem não ser os melhores textos da minha vida, mas só de conseguir escrever mais de mil palavras como nesse daqui, já posso me considerar vitorioso.

E sobre o meu projeto de livro, estou pensando seriamente em fazer uma publicação e colocar por aqui. O que acham?