Brasil: reflexões políticas #1

E eu pensava que não tinha como a polarização ficar pior.

Doce ilusão. Ninguém representa ninguém e nem a si mesmo talvez. A massa de manobra virou massa de manobra da própria massa de manobra, que continua reproduzindo discursos demagogos fundamentados no jogo pelo poder. Segundo Einstein, insanidade é continuar fazendo a mesma coisa várias e várias vezes. No Brasil, insanidade é só um mero detalhe.

Pensei que seria um momento propício de pesar e reflexão, mas tem gente indo pra rua comemorar. Comemorar o que? Impeachment não é vitória! Fazendo analogia com o amado esporte nacional: é tipo perder feio, é tipo mais um 7x1 esfregado na cara. Eu estava enganado. Essa atitude passional é um comportamento natural do brasileiro, que abriu mão do diálogo em prol da violência, seja ela física ou verbal (acredite, parlamentares estavam se empurrando e trocando tapas no plenário antes, durante e depois da votação).

O impeachment não é golpe. Pelo menos não é se partirmos do ponto de vista jurídico e constitucional. Mas será que o golpe que tanto falam não se caracteriza no âmbito da moralidade? É um golpe que vem se instalando de forma estrutural (sociedade, câmara, senado, governo) a fim de tirar a Dilma do poder? Não sei. O que sei é que Dilma foi eleita democraticamente e a oposição não foi capaz de eleger seu candidato no momento da disputa e, posteriormente, mostrou que não soube perder.

Hoje temos um governo que agoniza por falta de governabilidade. A disputa não se encerrou quando deveria e continuou no momento em que o país mais precisava de união, a cisão ficou clara em todas as camadas da sociedade. O que vivemos hoje é culpa de todo mundo, sem descriminação. Culpa de quem não soube perder, de quem não soube ceder, de quem não foi capaz de articular e dialogar. É culpa também de um sistema político completamente obsoleto e falido, que não sustenta mais as necessidades do extremamente complexo povo brasileiro. Então olha só, se a gente perdeu, não é culpa exclusiva de A, B, C, D ou do resto do alfabeto, é culpa geral. E isso é triste em uma escala colossal.

O leite já foi derramado. Seguimos. Acordamos? Cunha tem capacidade de ocupar o lugar que ocupa? e Bolsonaro? e o bando de deputados que não trabalha com a seriedade? Não acredito em heróis e vilões na vida real. Mas se eles existem, reflitam: todo vilão crê que é o herói da própria história.

To be continued….

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