O que mais escrever sobre Romário…

Gênio da pequena área. O mais letal centroavante dos anos 90 e início dos anos 2000. Irreverente, polêmico, artilheiro…

Não há mais o que se falar sobre Romário. Não há jovem, adolescente, experiente ou desconfiado que não se curve ao que o baixinho representa para o futebol. Sem limitações. Copa do Mundo, brasileiro, espanhol ou holandês. Romário foi craque por passou, andou, irritou e levantou títulos. E não foram poucos.

Juro que pesquisei. Mas não consegui saber o dia exato que o vi pela primeira vez. O que sei é que foi na semana seguinte dessa derrota aqui embaixo do Flamengo para o Cruzeiro no Maracanã em 1999.

Lembro bem do fato, mas não da data, pois nesse dia que decidi virar jornalista. Explico. Fui jogar um “amistoso” contra o o time de futsal do Flamengo. Na época, dava minhas caneladas e dribles (não era dos piores vai…) pelo time lá da minha área em Santa Cruz e, não sei como, marcaram um jogo com o time do Fla na Gávea. Perdemos de 20x1. E não me esqueço do placar porque o UM foi um gol meu. Tinha quatorze anos e nunca tinha ido na Gávea. A partida foi no ginásio onde hoje treina, e de vez em quando joga, o time de basquete rubro-negro. Antes do jogo, lembro que batemos um papo com o Oscar e com Pipoka. Mitos do basquete brasileiro.

Mas esse preâmbulo todo é por causa do Romário. Por motivos óbvios, se você era moleque viciado em futebol nessa época, o baixinho era tipo um Deus. Só que você não precisava ter TV à cabo. Ele disputava o Campeonato Carioca, amigo. Uma parabólica resolvia a parada.

Joguei minha pelada, meti meu golzinho histórico, dei um rolé na sala de troféus do Flamengo e depois marquei posição na arquibancada da Gávea pra assistir o treino. Pô, tinha 14 anos, a resenha comia solta e me aparece o Régis Rosing querendo mandar aquelas passagens (pra quem não é do jornalismo: o momento em uma reportagem em que o repórter aparece) mitológicas dele. Achei foda o esquema e botei na cabeça que iria ser jornalista. Consegui.

Mas lá em 99 o que eu queria mesmo era um autógrafo do Romário.

Junto com a minha rapeize, desenrolamos o caminho de onde chegavam os jogadores. Feita a descoberta, marcamos terreno por lá. E aí começou a passar Beto Cachaça, Caio Comentarista, Iranildo Chuchu, Rodrigo Mendes (que marcou o gol do título carioca naquele ano), Juan, Clemer… e lá veio ele.

A molecada caiu em cima. Todo mundo partiu pra dentro. O lance era chegar perto do baixinho.

No momento em que viu aquele “bonde do mengão sem freio” chegando ele sacou uma tendência. E aí pegou a primeira caneta que viu na frente e mandou:

“Rapaziada, mete uma fila aí que eu vou assinar a camisa de geral, mas para com essa gracinha de ficar medindo tamanho comigo que vou vazar e largar vocês aí!”

Esse é o Romário. Consigo lembrar exatamente o que ele falou naquele dia. Lembro que achei ele pouca coisa mais alto que eu, o que não é grande coisa ainda hoje. Mas o choque de chegar perto e dirigir algumas palavras ao maior que jogador que vi jogar me marcou e marca mesmo depois de cobrir uma Copa do Mundo. Mesmo com a oportunidade de ter contato com Messi, Cristiano Ronaldo, Neymar… Mesmo tendo o Zico como ídolo maior, apesar de nunca ter estado com ele pessoalmente. O baixinho é foda!

Ave Gênio!
Ave Romário!

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