Objeto de Felicidade

Uma descrição de quem nem tudo é o que parece ser…

Rafael Freire
Jul 10, 2017 · 1 min read

Pequena e roliça. É uma alegria quando voa. Não é forte e não tem grande valor. Ela pode ser macia ou estar um pouco mais dura dependendo do jeito que é guardada. A pobrezinha chega até a se desmanchar se ficar com sede. Raramente está sozinha. Quase sempre acompanhada por um objeto maior, ao qual está sempre presa. Mas esse é seu grande dilema. Sua liberdade representa sua morte. Já que uma vez liberta, perde sua função.

Ela é meio bege. Gosta de sair à noite, está presente a qualquer comemoração. Ela adora festas. Nunca falta em nenhuma. Sempre que tem algo a ser celebrado, lá vai esse intrépido objeto cumprir sua missão de homem bala, caindo e morrendo como uma estrela cadente pra felicidade geral.

Ninguém se importa com ela. Na verdade, nem com ela nem com o objeto ao qual está presa. Os dois são apenas guardiões do que realmente interessa. “Proteger e servir”, esse deveria ser o lema dessa dupla.

Ela também pode ter outra função. Pode fazer parte da brincadeira de uma criança, seja como parte de um carrinho ou como peça em um jogo de tabuleiro. Pequena e sem valor algum, sem gosto e seu cheiro depende do mar no qual se banha.

A maior felicidade é vê-la voar sem asas. Assim é a sua vida. Uma garrafa com líquido saboroso é a sua morada e garantia de vida. Assim que a rolha voa, e o líquido cai nas taças, começa a festa.

    Rafael Freire

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