Webmilitantes

Todos nós, de uma forma ou de outra, acabamos nos posicionando sobre determinados assuntos, geralmente polêmicos, nas nossas redes sociais. Levantamos bandeiras, defendemos ideias e debatemos com aqueles que não concordam com a nossa forma de pensar. Não que isso seja errado, de forma alguma, acredito que o debate engrandece ambos os lados (quando se debate o argumento do outro, não a pessoa em si).

Textões são os meios em que as pessoas encontraram, dentre outros, uma forma de colocar pra fora o que pensam sobre determinado assunto. Mas e aí?

Aqui estou eu escrevendo um texto. Colocando em palavras, ideias e ideais que podem ou não ser compartilhados por você que me lê agora. Dentro de alguns minutos, esse texto pode render um debate com outra pessoa que pensa de forma oposta a minha, gerando novas verdades e criando novos pensamentos. Logo em seguida, todo esse processo morre.
Morre porque vivemos a necessidade de sermos rápidos. Rápidos não somente em receber informação, mas também na hora de compartilhar, debater e criar. Nos indignamos muito, escrevemos horrores e fica por isso mesmo. Ser ativista de facebook é muito fácil, falo por experiência própria. Muitos te apoiam online, mas na hora de dar as mãos e ir para a rua com você, alguma outra coisa passa a ser prioridade na agenda. Não falo isso com total peso no coração, mas com algum.

O Brasil vive um momento de instabilidade muito grande. Temos apoiadores do governo e uma outra parte que se coloca em total oposição. Não vou entrar nos méritos de qual está mais certa, mas sim na parte na qual me encontro e como eu percebo as coisas.

Eu me identifico com a esquerda. Mas essa esquerda que tem virado uma grande esquerda festiva. Cirandas, saraus e textão. Não que essas coisas não sejam válidas, claro que não. Mas não são suficientes. Estamos indignados com muita coisa. Falta de representação, PEC 241, o fim do estado de direito, a falsa simetria nas investigacoes por corrupção, dentre várias outras coisas que estão a nível regional. A militância nas ruas diminuiu muito. Mas por quê? O Egito nos provou na praça Tahrir que é possível sim. 2013 nos mostrou que temos forca, unidos, para conseguir mudar o cenário no qual estamos. Mas a nossa agenda pessoal tem mudado muito. A política so faz parte das nossas vidas quando estamos em época eleitoral ou quando ficamos online no facebook. E dentre tudo isso, o que escrevo, é também uma autocrítica.

Quanto tempo vamos esperar para termos que ir as ruas? Quanto tempo mais vamos assistir o que está acontecendo, de casa, sem fazer nada? Temos o total direito de expressarmos as nossas ideias, de irmos para a rua, de lutarmos por uma sociedade digna e justa, uma sociedade que é sim desigual, permeada pelo racismo, lgbtfobia, machismo, xenofobia (etc etc etc), e a militância para defender a todos não está tomando as suas devidas proporções. Parece que nos desunimos cada dia mais, brigando entre si, numa disputa acadêmica para ver quem tem o Lattes mais extenso. Uma eterna briga de egos nos meios de formação, que não gera nada de bom.

Onde vamos parar?