O Eu Automático e o Eu Manual: Equilibre-os e evoluirá.

Já se pegou pensando em automático? Naqueles momentos onde alguém faz um comentário sobre alguma coisa e antes, mas muito antes, de você balbuciar as primeiras palavras de volta, a sua mente tomou a frente e pensou por si só sobre o caso.

Darei um exemplo:

Pessoa: Você viu o que aquela pessoa disse para a mim?

Sua mente(milésimos após): Mas que babaca! Esta pessoa é uma sem educação. (Antes de falar)

Sua boca(logo em seguida): Caramba. Que coisa, não?

No diminuto diálogo acima, sua boca se esforçou muito para amenizar o julgamento ferrenho que sua mente disparou, através de um diálogo mais brando (Caramba. Que coisa, não?). Mas o que deteve as palavras ácidas foi o seu “piloto manual”, que é uma parte de sua mente. Claro que o exemplo dado anteriormente trata-se de uma pessoa teve um filtro mínimo para não cuspir para a outra 100% do que a mente ponderou; e é claro que existem MUITAS pessoas sem este filtro e que disparam integralmente o que suas mentes pensam. Mas isto é assunto para outro dia.

Nós temos uma dualidade vivendo em nós; bem na verdade temos uma série de facetas de nós mesmos, mas todas estas facetas são organizadas em duas vertentes imperiosas, que não gosto de chamar de mau e bom, frio e quente, feminino e masculino ou qualquer outra dualidade que apareça em literaturas esotéricas e religiosas, pois pouco tem relação com estas denominações, neste contexto. Apenas vou chamá-las de o Eu Automático e o Eu Manual.

Mas por que estes dois nomes?

Poderia destrinchar esta classificação em diversos campos da saúde, mas para fins didáticos e tamanho de texto, vou me ater ao campo do pensamento.

O Eu Automático controla a maior parte das nossas funções cognitivas, e mais precisamente, nossa memória processual; tipo de memória que controla tudo que fazemos corriqueiramente, como nossas tarefas diárias, assuntos debatidos em repetição, etc., ou seja, temos nossa memória Processual, Episódica, Emocional, dentre outras, que tomam uma grande fatia para si das funções automatizadas da mente, fazendo-nos seres mais inconscientes do que conscientes. O próprio Neuromarketing nos aponta que mais de 90% das nossas decisões são tomadas de forma inconsciente. Ligadas a processos primitivos(sobreviência) e emocionais(límbico) nas camadas mais profundas e antigas do nosso cérebro.

O nosso lado Automático é alimentado pela repetição dos fatos; da recorrência do pensamento. É ele quem internaliza e armazena os preconceitos e não quem cria, pois guarda as conclusões do raciocínio, principalmente quando estas(conclusões) são repetidas formando um padrão.

Andar é automático

Andar, por exemplo, é uma ação automatizada. Imagine se você tivesse que pensar para andar; não conseguiria fazer mais nada (tem gente quase nesse nível), pois a memória processual depende de treino e repetição (LOMBROSO, 2004; LENT, 2001) e tem caráter automático, não dependendo de ter consciência dos processos cognitivos ( KANDEL et.al, 2000).

Somos, em maior parte, inconscientes e automatizados para armazenar energia. Não é padrão do nosso cérebro despender energia sem um propósito de sobrevivência (procurar comida, reproduzir, etc.). Ele (o cérebro) precisa de toda a energia necessária para ser usada nestes momentos básicos para a sobreviência, sua em primeiro lugar e em segundo da espécie. Por isso é tão difícil levantar para ir malhar. O cérebro se pergunta através da mente:

"Que porra é essa que você está fazendo? Malhar? Que porra é essa?"

Bom; entendido isso, podemos dizer que se somos seres quase 100% automatizados e este sistema automatizado, depende das repetições que fazemos para virarem hábitos em nossa mente, então dependemos da nossa consciência para alimentar o que somos. Capisce?

E para ter consicência de algo, precisamos gastar energia, ligar o Eu Manual e pensar. Esta ação custa energia demais para o nosso corpo. Basicamente, os principais combustíveis para manter o nosso nível de enrgia em bom estado são: Comida de qualidade e sono de qualidade. Então podemos concluir que para se ter bons hábitos (automatizados) precisamos investir energia de qualidade, que por sua vez, precisa de comida e sono de qualidade. Agora você entende o porquê certas pessoas (muita gente) não conseguem "simplesmente" mudar? De simples não tem nada.(rsrs)

Elas não mudam, pois não se alimentam direito, não dormem direito, não pensam direito. É a nossa tríade da evolução. Mas como assim "não pensam direito"?

Pensar é imperioso para se adaptar à evolução.

Se a pessoa possui péssimos hábitos é por dois motivos, basicamente: 1) Ela construíu estes hábitos no passado por simplesmente não pensar(avaliar) no que estava fazendo. 2)Depois de criados os hábitos ela não alimenta seu sistema automatizado com novos pensamentos mais nobres, ou seja, ela não "atualiza seu software"; fica sempre na versão 1.0.

A vida é uma eterna experiência e existe uma diferença entre experiência e memória, segundo o ganhador do prêmio Nobel de Economia Daniel Kahneman. A primeira é como você está em contato consciente com o que faz; é a qualidade do seu tempo vivido, enquanto a memória é apenas uma parcela (muitas vezes distorcida) daquilo que vivenciou no passado. A memória pode (e o faz) muitas vezes nos enganar.

Você já conheceu alguém que finge ser feliz, mas as ações desta pessoa não condizem com o que diz?

Portanto, alimentar seu interior com pensamentos, conscientes e repetitivos fará com que novos hábitos mais nobres, substituam os antigos.

Mas atenção! Este processo de alimentação do seu Eu Automatizado serve tanto para pensamentos nobres, quanto para atrasados.

Com isso, quero lhes deixar algumas reflexões: Do que são feitos seus hábitos? Como você os alimenta? Você está realmente pensando ou apenas sendo guiado pelos antigos hábitos automatizados?

E por fim: Você está em genuíno contato com a sua vida?