Sobre esoterismo, gestão e empreendedorismo

Desde muito cedo, me permiti ter as mais diversas experiências. Trabalhei como diretor de arte, DJ, fotógrafo, produtor de eventos, gerente de projetos, comunicador e, atualmente, me encontrei em marketing. No campo espiritual, já frequentei igreja católica, evangélica, centro espírita, templo budista e hoje estudo várias vertentes esotéricas.

Há pouco mais de dois anos me aprofundo o quão possível for nessa área de estudo espiritual. Praticamente neste mesmo período, com alguns meses de diferença, comecei a fazer um MBA em Gestão Empresarial. E imagine qual foi a minha surpresa ao começar a fazer, frequentemente, fortes relações entre o que era falado pelos professores e o que era visto no esoterismo?

Na minha curta experiência de gestão e o pequeno conhecimento na área esotérica, não conseguia perceber relações práticas de aplicação entre as duas, mas as teorias, na essência, eram bem parecidas. Entretanto, conversando com pessoas mais conhecedoras, fui surpreendido uma vez mais. Me disseram, com toda a naturalidade do mundo, que sim, estes assuntos estão intrinsecamente conectados. Foram mais específicos: o oriente, berço da espiritualidade, viu no esoterismo e nas religiões a forma mais correta de conexão com o mundo não perceptível aos nossos olhos. Para o ocidente, a história foi diferente.

Os ocidentais, muito mais lógicos e racionais, encontraram na gestão e no empreendedorismo a sua forma de conseguir aplicar, mesmo que não tão conscientemente, os preceitos espiritualistas para o aprimoramento de suas culturas organizacionais.

O desenvolvimento de seus pares e subordinados, a cultura da motivação e de wellness, o planejamento de ações para um desenvolvimento à longo prazo, além de várias outras aplicações práticas das diversas vertentes de gestão, tem em seus cernes o mesmo DNA que os estudos ocultistas. Cada vez mais surgem notícias de CEOs que inserem em suas rotinas a prática de atividades meditativas e relatam uma grande melhora na performance, como exemplo.

Em se tratando do empreendedorismo, é importante perceber duas principais características presentes em ambos os mundos: a criatividade, que no mundo corporativo é utilizada na inovação de produtos e serviços, além de propiciar a criação de novos modelos de gestão e de estruturação organizacional; e a força de vontade, que faz-se necessária para conseguir superar os constantes desafios de implementar aqueles projetos e novos negócios que tanto sonharam.

É muito interessante que o desenvolvimento da cultura empresarial, de gestão e de desenvolvimento de novos negócios — mais ricos em relações e em planejamento — ajude no desenvolvimento de todo o globo. A convergência da espiritualidade, em sua totalidade, com assuntos mais racionais, como gestão, empreendedorismo e até mesmo a ciência, mostra-se cada vez mais necessária e, indo além, aponta para uma tendência. Como exemplos, é possível citar a física quântica ou a implementação de terapias alternativas em centros médicos e hospitais como forma de tratamento complementar.

Assuntos como sustentabilidade, responsabilidade social, ética empresarial e inteligência emocional são alguns dos muitos que podem encontrar correlações em ambos os campos de estudo, espiritual e corporativo, e que caminham paralelamente para um desenvolvimento de melhores ações para o desenvolvimento humanitário.

Com a geração Y começando a assumir cargos de liderança, a tendência é que sejam cada vez mais importantes nas culturas empresariais, já que essa geração é caracterizada, dentre outras coisas, pela preocupação com o meio ambiente, com o bem estar, com a saúde e com ambientes propícios para uma boa relação com todos os pontos de contato (superiores, subordinados, pares e fornecedores).

Este atual modelo de gestão/empreendedorismo está obsoleto e não atende mais as necessidades de desenvolvimento e de aproveitamento de todas as inteligências do ser humano (teóricos do assunto já listam 9 diferentes), o que nos permite concluir que nosso melhor desempenho é minado pela ineficiência do sistema. Como diz Gustavo Tanaka, “há algo de grandioso acontecendo no mundo”. São mudanças que estão acontecendo diariamente, desenvolvendo novos conceitos e adaptando antigas culturas.


Sobre o Autor

Rafael, 29 anos, é formado em Design pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e MBA em Gestão Empresarial pela FGV. Já trabalhou como diretor de arte e designer freelancer, mas encontrou sua paixão profissional no marketing & comunicação. Atualmente é gestor do departamento na Hunter Consulting Group e gosta de falar sobre os mais diversos assuntos ligados ao mundo corporativo: desenvolvimento humano, liderança, marketing, empreendedorismo, gestão, mercado e política.