O pior voo da minha vida

na TAAG -Linhas Aéreas de Angola

Assim que li no Melhores Destinos sobre a promoção para a África do Sul da TAAG, me empolguei. Dei uma lida rápida sobre a Companhia e fiquei bastante confortável em comprar a passagem quando li que a gestão foi terceirizada para a Emirates. Assim que recebi o e-ticket, tentei marcar os assentos, sem sucesso. Enviei um email pedindo isso e me responderam muito rapidamente (logo na primeira hora do dia seguinte).

Ida:
27/12/2016 — voo DT 746 — 19:25 Guarulhos — Luanda 
28/12/2016 — voo DT 577 — 09:30 Luanda-Joanesburgo, ambos no avião matrícula D2-TEG

O check-in ocorreu sem problemas. A fila era pequena e a atendente bem simpática. Só que o assento que eu tinha reservado (janela) não constava na reserva. A atendente ainda conseguiu me colocar no que disse ser o último lugar na janela disponível. Tudo bem então. Ela não conseguia verificar qual avião que faria o voo seguinte, então não tinha ideia em que eu assento eu estava.

Embarquei no Boeing 777–300ER, matrícula D2-TEG , que faria também todos os meus voos seguintes (a conexão para Joanesburgo e os dois trechos da volta). Logo notei que o ar-condicionado não estava funcionando. Deve ser só em solo, pensei eu. Uma mulher da fileira da frente chamou a comissária dizendo que estava com calor e a comissária disse que “ia ver”. Durante o trânsito para a decolagem, informaram que o sistema de entretenimento estava com problema e seria desativado durante todo o voo. Ouviu-se um “ohhhhh” coletivo. O avião decolou e o problema do ar não tinha sido solucionado. A mesma passageira chamou a comissária e os demais passageiros em volta confirmaram o calor. Ela disse que resolveria. Não resolveu. Uns 15 minutos depois, a passageira chamou a comissária perguntando e então ela disse qual era o real problema: naquele segmento havia problema de manutenção no duto do ar condicionado. Para baixar a temperatura ali, ela teria que baixar muito nos demais segmentos do avião. Ela disse que baixaria só um pouco. O sistema de entretenimento começou a funcionar do nada. Agora faltava o fone de ouvido. A empresa não adota o mesmo procedimento adotado por todas as outras. Os fones não são disponibilizados no porta-revistas. Pedi então a um comissário que me desse um. Ele disse que não podia, pois senão todos os demais passageiros pediriam (!!!) e eles estavam preparando a janta. Serviram a janta (razoávelmente boa) e bebidas. Recolheram as bandejas. Só então distribuiram o fone de ouvido. Não funcionou. Pedi outro. Continuou não funcionando. Chamei o comissário pelo botão e me ignoraram. Passou uma comissária e eu praticamente gritei para que ela parasse. Só pedir educadamente não funcionava com essa tripulação, que aparentemente não estava ali para atender ninguém. Relatei que o meu som não funcionava e que já havia trocado o fone. Ela me respondeu, de forma que foi impossível não interpretar como deboche: “Qui queres que eu faça?”. Desculpa, vamos trocar o Sr. de assento, vamos disponibilizar um assento na executiva. Não, nada disso! Ela queria que eu achasse a solução. Disse então que queria o formulário de reclamações e o nome dela, assim como falar com o chefe de cabine. Achei que o chefe de cabine seria mais educado, porém ele só veio e disse que nada podia fazer, me passando um bloco de reclamações. Ele foi embora e me deixou com o bloco. Escrevi a minha reclamação e ele chegou quando eu estava lendo as demais reclamações. Levei uma bronca, pois aparentemente as reclamações são secretas.

A passageira tentou chamar novamente alguém. Ninguém apareceu. Um bebê começou a chorar (talvez pelo calor). Ela insistiu e chegou uma comissária. Deu então um ultimato: “Olha, se você não baixar a temperatura do ar-condicionado, eu vou desmaiar”. Eu a lembrei do óbvio (ao menos para mim): é melhor que fique mais frio em outros lugares onde podem usar a manta do que muito calor no nosso trecho, onde não há outra opção viável. Aparentemente a convencemos. Logo o calor foi embora. Um problema resolvido. Foi o pior voo da minha vida. Mal dormi nas 8 horas de voo, que chegou a Luanda no horário. Ao menos a aproximação é bem bonita, sobrevoando o que parece ser um cemitério de navios. Contei mais de uma dezena encalhados na praia.

O procedimento de embarque em Luanda é um tanto confuso. Primeiro conferem a tua passagem e o passaporte, te encaminhando a um segundo guichê onde se entrega o ticket. Então aguarda-se o voo numa sala. Assim que o embarque é autorizado, você novamente mostra o ticket e desce uma escada. Mais uma fila se forma, para conferirem novamente o ticket. Toma-se um ônibus até o avião. Na base da escada, novamente conferem o ticket. E novamente, na porta do avião. Ao menos essa é a última vez que conferem esse ticket, a menos que você esteja voltando para Brasil (sim, daí conferem na saída do voo também!). É óbvio que esse excesso de “conferências” acaba atrasando tudo.

O avião estava pronto para decolar rumo a Joanesburgo, quase no horário marcado para a decolagem. Foi acionada a turbina e logo ela desligada. O piloto esclareceu (não muito) que há “problemas técnicos” no avião. Uma hora depois, o problema é resolvido. E então o aeroporto fecha, pois, segundo o piloto, estariam aguardando a chegada de um “voo vip”. Um aeroporto inteiro fecha por causa de alguém que se acha importante… Um pouco mais de uma hora depois, o piloto anunciou que o aeroporto abriu. E agora o problema é a fila de aviões aguardando a decolagem. Éramos o quinto da fila, informa. Cheguei a Johanesburgo quase 3 horas depois do horário contratado.

Volta: 25/01/2017 — DT 578 — 17:45 Joanesburgo-Luanda
 25/01/2017 — DT 745 — 23:30 Luanda-Guarulhos

Depois de quase um mês de uma viagem sensacional pela África do Sul, era hora de voltar e enfrentar mais dois voos na pior companhia em que já voei até agora. Dediquei quase uma hora da noite anterior empacotando todos os vinhos e demais bebidas que comprei lá, para tentar evitar que alguma se quebrasse. Estava um pouco receoso com o peso da mala, pois ela ficou bem pesada. Cheguei cedo no aeroporto e logo fui ao guichê de check-in. Eles conferem o peso da mala já antes do check-in, o que seria ótimo, pois poderia apressar o check-in. Mas como há somente uma balança, o estrangulamento passa a ser a pesagem e não os guichês de check in. Ficam atendentes esperando até que os passageiros passem pela balança. Chegou a minha vez e fiquei aliviado ao ver que a mala estava com 29kg, 3kg a menos do que o permitido. Mas os 3 funcionários que estavam ali, depois de deixarem passar uma família com uma mala a mais, aparentemente tinham que filtrar alguém. E sobrou pra mim. Disseram que o limite para voos para Angola era de 23kg. Eu disse que não estava indo para Angola, mas para o Brasil e que a franquia para voos iniciados no Brasil era de 32kg. Disseram que não. Que 32kg era só na executiva. Insisti. Foram inflexíveis. Disseram que poderiam deixar com 3 ou 4 kg a mais, mas não com 6kg. E perguntaram se eu queria embarcar ou não. A “solução” que deram foi eu remanejar o peso para a pequena mala que eu pretendia levar a bordo, contendo taças das vinícolas que eu visitei. Fui obrigado a fazer isso, em plena fila do check-in. A organização anterior da mala já não existia mais. Vai quebrar tudo, pensei eu. Puto da vida, embarquei. Dessa vez, até que o voo em si foi mais tranquilo. Fui no lugar na janela que eu tinha reservado, os voos partiram e pousaram nos horários contratados e a comida estava razoável. O sistema de entretenimento funcionou dessa vez. Chamou-me a atenção, novamente, um dos procedimentos ridículos da companhia. Meia hora antes do pouso eles passam recolhendo o fone de ouvido, pedem para dobrar as mantas e colocar o assento na posição vertical. Meia hora! Obviamente o conforto do passageiro não é prioridade da Companhia. Ao menos não quebrou nada no interior da mala, somente a mala em si. Dizem que vão pagar o conserto. Numa escala de 0–10, eu daria nota 2 para a experiência. Um ponto porque a poltrona é ligeiramente maior do que em outras cias que operam com o 777 e outro, bom, o avião chegou a salvo aos destinos. Não voaria novamente numa empresa tão ruim, a menos que o preço compense muito.