A carrocracia vai nos matar

A calçada da faculdade é bem estreita. Para ajudar, os ambulantes que vendem comida ocupam 50% dela. A prefeitura fez, como solução, uma “pedestrovia”, uma faixa de um metro e meio de largura pintada de verde no decorrer de toda a avenida. Ajudou muito, mas infelizmente, não foi o suficiente para comportar todos universitários da região.

Ao sair da faculdade minha namorada me esperava. Dei um beijo nela, e fomos pra “pedestrovia” para evitar o fluxo da calçada. Ao ultrapassar algumas pessoas, dei um passo na rua, quando um carro acelerou e avançou na nossa direção, como se quisesse dizer “vá para o seu devido lugar”. No reflexo, dei um tapa no carro, um recado pra ele entender “ei caralho, você vai me atropelar”. Não satisfeito, o motorista saiu do carro e veio discutir — sozinho.

“Vai bater na buceta da sua mãe.” Eu segui andando. Primeiro porque eu não gosto de briga, principalmente por um motivo fútil desses. Segundo que tava com minha namorada, e eu não queria envolve-la numa situação dessa, quando foi me buscar na fácul pra gente ficar de boa, bem, junto. Quando olhei pra trás, ela tava parada gesticulando com a mão, como o Tite dizendo pro técnico rival “fala muito, fala muito”. Já o motorista nervosinho seguiu falando um monte de merda, eu olhava pra trás com vontade de ir “resolver o problema”, mas algo dizia pra seguir em frente, não estragar minha noite com isso.

Pra finalizar, o cara gritou que eu “devia ser petista”. Pronto, isso explicou muita coisa. O ódio do cara quando eu “agredi” sua propriedade é igual dos “anti-petistas” que acham que quem defende o Partido dos Trabalhadores merece morrer. Seguimos nosso caminho, deixe o ódio para os odiosos.

Minha camiseta possui uma estampa vermelha, do Tim Maia, e talvez, por isso ele associou a cor ao PT, o que ainda não justifica todo ódio que saiu destilando. Se ele acelerou com pressa, porque parou o carro pra brigar? Teve seu orgulho ferido ao eu dar um tapa no seu carro? Espero que Tim Maia o ajude a encontrar a Imunização Racional, e saia dessa ignorância contra tudo que age conforme ele não acredita. Leia o livro: O Universo em desencanto.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.