Em São Paulo, 463 anos.

Eu sou apaixonada pelo Rio de Janeiro. 
O Rio sempre me recebeu com amor, a primeira vez que eu fui no Rio, com a minha mãe, em 2011, eu olhei pra orla de Copacabana e pensei:

A vida é pequena demais pra morar em São Paulo.

Foi a primeira viagem que fizemos juntas depois de um período bem trash na nossa vida. 
Foi no Rio a primeira vez que viajei sem a família. Foi pro Rio que fui quando voltei pro Brasil. O Rio me lembra amigos queridos, paz, felicidade. Eu continuo apaixonada pelo Rio de Janeiro.

São Paulo é diferente. 
Nossa relação não é muito fácil. 
Quando eu era adolescente São Paulo tinha uma silhueta fantasiosa, era o sonho, da Rua Augusta e onde todo mundo parecia muito melhor do que na minha cidade (veja bem, eu cresci na Grande SP, entre Carapicuíba e Osasco…vocês não sabem a diferença que é ir pro centro de SP) 
O tempo passou e São Paulo se revelou uma cidade complicada de gostar. SP é maravilhosa se você consegue morar bem. 
São Paulo pode ser muito cruel se tu precisa se locomover grandes distâncias pra fazer qualquer coisa.

Daí eu comecei a me interessar por politica e a face de São Paulo ia ficando cada vez pior.

Dois anos atrás eu comecei a trabalhar em um restaurante e redescobri São Paulo. Dessa vez a SP da madrugada. 
Não é a São Paulo da noite, das bebedeiras da Rua Augusta ou da Vila Madalena. É a São Paulo silenciosa das duas da manhã. 
Os barzinhos, que são frequentados sempre pelas mesmas pessoas, que só podem ter um Happy Hour na madrugada de terça pra quarta feira. 
As padarias 24h que servem de quebra galho pra todo mundo que dorme durante o dia e trabalha a noite toda. 
Os meninos saindo da espreita pra pixar os muros que o Dória insiste em apagar agora. 
A SP noturna é maravilhosa. 
É completamente diferente.

O Anderson França escreveu um texto muito bom falando de São Paulo hoje, e eu não poderia concordar mais.

São Paulo é aquela relação difícil, que a gente não quer soltar, mas sabe que não dá pra ficar ali pra sempre. 
Com sampa eu não tenho paixão, mas tenho um sentimento imenso, calmo e ao mesmo tempo turbulento.

Talvez seja amor. Mas dizem que quando é amor a gente sempre sabe. Eu não sei.

De qualquer forma é aniversario da cidade, e hoje eu sou grata por tudo que São Paulo me ensinou. 
Parabéns selva de pedra, seguimos, mais um ano, sem nos matar.