Fluxos

Sobrevivemos de fantasia.
Para a gente, nunca é demais inventar uma coisa ou outra.
Um sorriso aqui, uma lágrima acolá.
Simular o real nunca foi tão prazeroso para quem tem à sua disposição um pequeno borrão do que a vida pode proporcionar.
Quando completa, alívio.
Quando pendente, desespero.
Histórias não deveriam ser tão complicadas assim.
Metades são expostas, deixando ao ar livre todo o sentimento que ainda permanece enclausurado.
O mundo não pertence mais a nós.
Por onde andarão as angústias explodidas em forma de nanquim?
Feridas letradas em forma de canção.
Até que ponto compartilhar demônios faz bem a alguém?
Os meus são os mesmos que os seus.
Se duvidar, eu sou o mesmo que você.
Almas semelhantes em corpos diferentes.
A mesma página para capítulos distantes.
O mesmo autor em rostos distintos.
A mesma mente para personalidades perversas, reversas, diversas.
A mesma mão que afaga, é a que apunhala.