Sexo como uma ferramenta de biohacking para estabilidade emocional e produtividade.

Rafaela Romano
Nov 7 · 9 min read

O sexo é uma ferramenta poderosa que pode potencializar ou desgastar nosso cotidiano e produtividade. Este artigo é uma reflexão sobre a influência do desejo sexual em nossa produtividade e como potencializar uma transa, evitando os desgastes emocionais decorrente dela. Espero que após essa leitura, você possa considerar o sexo como uma ferramenta de biohacking e possa encontrar o seu melhor método.

“Desculpa aos leitores masculinos. Esta seção é orientada para mulheres.” (isso é uma hack, continue a leitura para entender).

Nota da Autora: talvez eu deva me desculpar pela frieza do texto. Não é que eu seja contra o amor romântico e se apaixonar perdidamente por alguém, mas aqui eu tenho um objetivo muito específico: fazer com que todas nós possamos diminuir nosso desgaste emocional, aumentar nossa produtividade e bem estar. YOU GO GIRL.

Biohacking e o desgaste emocional das mulheres

Eu trabalho em um fundo de investimento com 15 homens e sou a única mulher do time. Eles são desenvolvedores, engenheiros, economistas e estatísticos. Eu sou, além de mulher, antropóloga. Esse trabalho, inevitavelmente é uma espécie de laboratório social. Como eu circulo também em ambientes compostos apenas por mulheres, é sempre curioso notar a forma como cada grupo lida com sexo, relações pessoais, trabalho e tudo mais que envolve o cotidiano de qualquer pessoa.

O sexo é obviamente, uma questão sempre interessante de observar. E a diferença entre os grupos é gritante. Apesar do contra senso, os homens falam pouquíssimo sobre sexo. Sempre existem metáforas com sexo e mulheres bonitas, circulam umas pornográficas no almoço, reclamações sobre serem abandonados pelas esposas e jantar pão com tomate por uma semana, mas eles perdem pouquíssimo tempo falando sobre isso.

As mulheres, por outro lado, falam muito sobre as relações, os encontros, os conflitos (inclusive, devo me desculpar por ocupar os ouvidos de cada um desses senhores com minhas reflexões cotidianas). Não que falar sobre os sentimentos seja ruim, mas acho que ocupamos muito tempo produtivo nisso.

Enquanto nossos companheiros cheios de testosterona estão conversando sobre resoluções de problemas, investimentos, planos, economia e fazendo piadas infantis (muitas!), muitas de nós estamos gastando toda nossa energia mental e produtividade pensando em relacionamentos que muitas vezes só geram desgaste emocional.

Em casa, aconteceu uma mudança muito interessante. No começo do ano, minha roommate estava muito frustrada com uma relação que praticamente não existia. Todos os dias, passávamos horas conversando sobre isso e tentando buscar formas de lidar com aquela frustração. Eram literalmente, horas gastar com nada. Ela já não transava com o cara fazia meses, eles não se encontravam e tinham conversas ridículas.

Depois de meses, ela superou o cara, arrumou um namoro bem tranquilo e a produtividade dela aumentou exponencialmente. Ela está a frente de um projeto incrível de experiências multi sensoriais para bebês, concorrendo à vários editais e entrando em um segundo mestrado. Agora, conversas são quase todas sobre problemas objetivos que envolvem algum projeto pessoal ou realização profissional.

Toda energia gasta com um relacionamento inútil se tornou energia produtiva para alcançar os objetivos pessoais dela. É lindo de ver! E um pouco assustador. Sério, ela passa horas ininterrupta produzindo, todos os dias.

Desculpa aos leitores masculinos, essa sessão é destinada às mulheres.

Nos últimos meses, eu tenho estudado muito sobre biohacking e tive a sorte de ter uma espécie de mentor que tem conversado muito comigo sobre suas experiências e me orientado em estratégias para hackear minha mente e corpo e conseguir uma melhor produtividade física e mental.

Durante esses estudos, me deparei com um texto chamado “How to biohack your intelligence- with everything from sex to modafinil to MDMA” . O texto é realmente interessante, mas a seção destinada ao sexo começa com a seguinte declaração “ Desculpas à metade feminina da plateia, essa sessão é orientada aos homens.” Para que essa sessão possa ser aproveitada por nós, eu precisei hackeá-la. Aqui está uma reflexão de como nós podemos usar o sexo como uma ferramenta de biohacking.

Como biohackear seu sexo para aumentar sua produtividade e bem estar?

Pontos-chave: Sexo = bom para você. Humanos = não monogâmicos. Excelente Sexo = bioquímica.

O sexo pode ser ferramenta para melhorar a saúde (obviamente falando sobre sexo seguro) e inteligência. Mas se utilizada de forma incorreta, pode ser um buraco negro para nossa mente, produtividade e tempo. O sexo deve potencializar nossa concentração e não interferir em nossa produtividade.

Há muitas razões pelas quais o sexo é útil para a inteligência:

  • Se não conseguirmos transar, gastamos muito tempo pensando sobre isso. Perseguindo, assistindo pornografia etc. Basicamente, distrações inúteis. Se eu começo a semana com sexo bom, sem desgaste emocional, minha semana costuma ser muito melhor.
  • O sexo leva a mudanças hormonais favoráveis, reduz o estresse [1] e até ajuda a dormir [1]. Curiosamente, notei uma correlação muito clara entre sexo e meus próprios níveis de sono profundo, e qualquer coisa que melhore o sono profundo é muito valioso.
  • Há evidências de que o sexo aumenta nossa neurogênese e neuroplasticidade. [1]

Apesar dos benefícios, conseguir um bom sexo leva muito tempo e energia:

  • Manter um namoro requer muito tempo. Algumas pessoas precisam de muita atenção e demandam muito energia. Muito desse tempo é desperdiçado. Mas, uma relação estável pode ser uma boa forma de aumentar a produtividade.
  • Buscar por sexo em aplicativos ou em boates pode ser muito improdutivo. O resultado muitas vezes é desperdício de sono, dinheiro, tempo, energia e pouco sexo de qualidade. Se não houver outra opção, seja assertiva. Prefira pubs e ambientes em que é possível desenvolver alguma intimidade. Inicie conversas de forma interessante, busque pontos de conexão, faça perguntas e deixa a pessoa se abrir. Sair para dançar e se divertir com amigos e produzir dopamina com isso é outra história.
  • Relacionamentos monogâmicos a longo prazo (RMLR) podem ser ótimos se estivermos com alguém que é um verdadeiro amigo e compartilha nossos valores. Mas os RMLRs são uma solução desafiadora para desejos sexuais. A monogamia não é natural. De acordo com o “Ethnographic Atlas Codebook”, 84,6% das culturas são não-monogâmicas. A conclusão é óbvia, esteja em uma RMLR se ela te faz crescer, evoluir e te proporciona prazer. Não mantenha um RMLR apenas por comodismo se ele suga sua energia e te leva para baixo. Quando eu falo sobre relacionamentos não monogâmicos, acho que algumas pessoas podem me entender errado. Acho que os relacionamentos monogâmicos de longo prazo podem ser incríveis se eles honestos e baseados em uma conexão genuína. Eu tive um relacionamento sério por três anos com uma pessoa que sempre me desafiou, me incentivou a fazer tudo que eu queria e acreditou no meu potencial. Esse relacionamento foi muito importante e me fez conquistar muitas coisas. Mas fico realmente triste e surpresa com o número de pessoas que estão em relacionamentos ‘’monogâmicos’’ traindo seus companheiros e infelizes.
  • Ter muitos encontros e sexo com pessoas diferentes e desinteressantes em um curto período de tempo é emocionalmente desagradável. Eu me sinto como o Tom Cruise em ‘ O limite do amanhã. Se tu achar alguém legal, o primeiro encontro pode ser muito interessante, mas isso pode ser raro.
  • A masturbação não oferece os mesmos benefícios por algum motivo. Parece que enganamos nossos cérebros, mas não totalmente.
  • Uma relação pode ser fonte de problemas, aborrecimento, tristeza e insatisfação. Podemos simpatizar, mas não cabe a nós consertar outras pessoas. Já é difícil demais consertarmos nós mesmos.
  • Não perca tempo com jogos! Mas aprenda usar de forma eficiente truques e gatilhos mentais.

Minhas reflexões sobre como usar o sexo como biohacking :

  • Saiba o que você busca! Se você não sabe onde quer chegar, você vai se perder buscando o próprio rabo. A carência é tóxica e constantemente improdutiva. Entenda seus desejos e busque aquilo que é necessário para satisfazê-los da forma eficiente.
  • Busque sempre companhias inteligentes, bem sucedidas em suas áreas de atuação, empolgados com projetos pessoais, produtivas, ativas fisicamente e com inteligência emocional.
  • assistência eficiente aos seus relacionamentos casuais. Conversas, encontros e experiências intensas, mas pontuais é uma ótima forma de poupar tempo e tornar sua gestão eficiente. Mostre sempre o seu melhor e explore o melhor das pessoas. Não desgaste a relação com trivialidades.
  • Relacionamentos casuais mais constantes parecem ser uma boa forma de utilizar nosso tempo, ter envolvimentos reais, fazer bom sexo e tranquilizar nosso ego por nos sentirmos desejáveis. Eu prefiro sair constantemente com algumas pessoas ‘’fixas’’. Isso evitar que eu me desgastante física e emocionalmente com buscas constantes ao mesmo tempo que também não caio no erro de buscar saciar todos os meus desejos e interesses em apenas uma pessoa e frustrar todos os envolvidos.
  • Estar em um relacionamento causal não significa estar em uma relação superficial. Atualmente, meus melhores parceiros sexuais são pessoas com as quais eu tenho interesses em comuns, longas conversas produtivas e muita liberdade.
  • Ouse sair da sua zona de conforto. Encontre, transe e se relacione com pessoas interessantes que estejam fora da sua área comum de interesse. Principalmente aquelas que ocupam altas posições de poder e vão desafiar intelectualmente e sexualmente sua auto estima. Isso pode te potencializar de uma forma inimaginável em muitos aspectos.
  • Existem maneiras fáceis de hackear nossa química emocional. Medite, tome afrodisíacos (particularmente, eu adoro as plantas que aumentam a circulação sanguínea do cérebro e áreas pélvicas, como a maca peruana e a marapuama), faça sexo logo após um treino de academia com níveis hormonais altos, faça coisas divertidas como ir dançar, treinar arco e flecha ou escalar. Não deixe que a relação caia na rotina e inércia, nunca!
  • Um texto muito interessante da Siri Fale trás três formas de como hacker nosso cérebro para não ficar emocionalmente apegada, as dicas incluem fazer exercício ANTES de ter um encontro (para liberar os hormônios antes), não beber (pra mulheres), não olhar profundamente nos olhos de quem se transa e pensar em outras pessoas durante o sexo. O objetivo desse texto não é esse, mas as dicas podem ser úteis para muitas de nós.
  • A inteligência das mulheres está ligada ao seu estado cívil [1] [2]. Mulheres com graduação tem menos probabilidade de se casarem ou entrar em um relacionamento. Homens inteligentes parecem preferir sair com mulheres com um nível intelectual ou posição de trabalho inferior a deles. Há inúmeras justificativas para essa realidade. Elas pouco me importam. Busque pessoas inteligentes que potencializam o desenvolvimento de suas inteligências.
  • Quando for necessário (e apenas quando for), deixe claro seus interesses e desejos. Isso vai te poupar muito tempo no futuro. Não perca tempo com discussões desnecessárias. Foque em dizer o que você quer e não como você se sente com cada coisa. Lidar com seus sentimentos é trabalho seu e não de outras pessoas.
  • Experimente uma sessão de massagem tântrica ou outras explorações sexuais. (Adoraria receber outras dicas das leitoras).

Encontre o seu método para utilizar o sexo como biohacking.

Todas as dicas e reflexões acima são personalizada para minha vida, meus objetivos e visão de mundo. Cada uma de nós deve achar sua fórmula própria para utilizar o sexo como ferramenta de biohacking. Mas uma coisa é universal, um sexo incrível sempre vai liberar os bioquímicos certos. Serotonina e Dopamina podem fazer a diferença! Então não deixe o mundo te dizer que você não deve fazer o que deseja.

Busque se relacionar com pessoas intelectualmente interessante, atraentes e que não me causem desgastes emocionais inúteis. Não aceite migalhas. Aproveite todo o valor psicológico e fisiológico do sexo, com o menor custo emocional possível (o que é diferente de menor envolvimento emocional possível).

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