Crise de expectativa
— Foi ela! Apenas confirme que foi aquela (…) quem lhe convenceu da própria feiura!
— Não, mãe, não! Ao contrário, sempre que podia e até mesmo quando não podia, virava-me o rosto, olhava-me para além dos olhos e me confidenciava em sussurro o quanto eu era lindo, lindo, lindo! — no que a mãe, em flagrante transtorno, voltou-se para a porta da cozinha em silêncio, como se relegasse ao acaso a realização do desejo de que sua prévia suspeita fosse confirmada — Mas… apontou-me tantas vezes a beleza que produziu em mim nenhum outro resultado senão a desconfiança de que fosse mentira, acabando por me convencer do contrário.