3 acordes

Rafael Beibi
Feb 23, 2017 · 2 min read

Pra que tanto julgamento com certas músicas só pq elas não tem um milhão de acordes ou solos complexos?
O que é bonito, é bonito e pronto! (e às vezes nem é bonito, mas é sincero e de certa forma… necessário…)
Se eu acho lindo “Igreja da Penha” do Guinga, quer dizer que não posso gostar de “Índios” do Legião Urbana? Se acho “Montreaux” do Hermeto maravilhosa, não posso me emocionar com “Alive” do Pearl Jam, só pq é rock e é gringo?
Se a música transcende e é livre, se todos somos irmãos de coração nesse mundo, eu me pergunto: esse bairrismo todo com a arte não é um tanto contraditório?
Se o cara nasceu na zona rural antes de 1940 e fazia música de protesto com viola e 3 acordes (que era o recurso que ele tinha), vira patrimônio cultural. Agora se o cara nasceu na periferia e faz funk falando da realidade dele (com os poucos recursos que tem), é lixo cultural.

Enfim, só um convite pra reflexão… Os tempos mudam, a arte se modifica e as formas de expressão e recursos se transformam. A coisa mais linda é a expressão verdadeira, a sede que o artista tem de se expressar. É legal treinar esse reconhecimento da arte do próximo. Tudo bem, tem toda uma indústria que se aproveita da arte, massifica, banaliza, explora até o osso. Mas esquece a indústria, pq isso vem depois da arte, é outro processo (que infelizmente, existe).

Lembra do indivíduo que transformou suas angústias, medos, revoltas, amores, conquistas e fracassos em palavras ou notas musicais… isso é uma forma de arte…
…e arte tem muitas formas de se manifestar, a gente gostando ou não!