Paraná tem queda no número de inscrições no ENEM
Essa é a primeira queda no número de inscritos que, desde 2008, passava por uma crescente a cada ano
Mesmo sendo um dos estados com maior número de habitantes do Brasil, o Paraná teve uma queda considerável no número de estudantes inscritos para realização do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM).
Em 2014, 453.333 mil alunos realizaram a prova, que se estende por dois dias, enquanto neste ano, apenas 336.307 mil foram até as salas de aula para realização do exame, o que significa uma queda de 26% no número total de estudantes. Os dados foram revelados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP).
Mesmo sendo o 6º estado mais populoso do país, o Paraná ficou apenas na nona colocação do ranking de inscritos para a prova. Quem puxa a fila é São Paulo, que teve 1.253.928 candidatos.

Fonte: INEP
Valor da inscrição, pesou na escolha?
Cerca de 8.478.096 pessoas fizeram a pré-inscrição para poder realizar a prova, mas 900.000 não pagaram a taxa de inscrição, e o principal motivo disso é o valor. Nos outros anos, era cobrado uma taxa de R$ 35 reais por pessoa, que em 2015 aumentou 86% e foi para R$ 65 reais.
O estudante Guilherme Gorges, que realizou o ENEM em 2014, acredita que este expressivo número sem dúvidas é pelo grande aumento no valor. “Vivemos uma das piores crises que o Brasil já viu. Não é todo mundo que pode pagar R$ 65 reais para realizar uma prova que, por mais que seja importante para o futuro, não é totalmente essencial para uma formação acadêmica”, disse.
Completando, Gorges diz que a tendência é que muitos jovens de classe baixa ficaram sem realizar o exame, e espera um reajuste para 2016. “Foi uma vergonha este ajuste. Você acha que pessoas de pouca remuneração mensal puderam pagar? É quase 10% de um salário mínimo! Eu realmente espero e torço para que o valor seja melhor no próximo ano”, finalizou.
Em contrapartida, o economista Márcio Oricolli não vê a crescente no valor como um dos motivos para a falta de pagamento dos estudantes. Para ele, o jovem sempre olha o futuro com olhos diferentes.
“Não é uma decisão sensata, e, seguramente, não é a escolha da grande maioria dos estudantes. Claro que a crise econômica brasileira desmotiva, sobretudo o jovem por não ver um horizonte de prosperidade no curto prazo, mas o preparo e a qualificação são fundamentais para uma vida profissional promissora. As dificuldades momentâneas que, eventualmente podem ser sentidas relacionadas ao pagamento das taxas de inscrição, devem ser superadas, em sacrifício de outros gastos”, disse.
Faixa etária de 21 a 30 anos é a maior entre candidatos
Apesar de não ser muito alto, o número de 336.307 mil candidatos no ENEM impressiona. Mas a principal faixa etária dos mesmos é aquela que já saiu do colégio e, consequentemente, do ensino médio.
Segundo o próprio INEP, 100.027 pessoas que realizaram a prova estão na faixa etária de 21 a 30 anos. Ou seja, os candidatos que querem cursar novamente a faculdade, ou, como é o caso de Luiz Eduardo, de 25 anos, apenas testar o próprio conhecimento.
“Eu sou formado em direito, mas acredito que, a cada ano que passa, novidades são implementadas no ENEM, que está muito organizado. É uma renovação anual que eu faço”, contou.
Completando, o advogado diz que muito amigos dele, que terminaram a faculdade no mesmo ano, fazem a mesma escolha. “Eu tenho um grupo de pelo menos 6 amigos que se vê toda semana. Quando menos nos damos conta, já estamos falando sobre o ENEM e sobre esta renovação de conhecimento”, finalizou.

Quem realmente faz o ENEM?
Uma das principais dúvidas dos participantes é quem realmente são seus concorrentes. Uma pesquisa do INEP mostra que, entre 7.746.057 participantes, o total de 4.491.820 são pessoas que já concluíram o ensino médio e, na contramão, apenas 446.952 candidatos sequer estão cursando o ensino médio.
Ainda, o número de jovens que irão terminar o ensino médio após 2015, ou seja, no momento estão no primeiro e segundo ano, é expressivo. 1.157.478 estudantes participam do ENEM apenas para testarem seus conhecimentos, e se prepararem para os anos seguintes, enquanto 1.649.807 esperam conseguir uma nota boa para entrar na universidade, já que finalizam o ensino médio em 2015.
Números de abstenções abaixa em 2015
Nos últimos seis anos, os dados de abstenção do ENEM sempre foi superior a 27% do total de inscrições, mas para conseguir abaixar este número, o governo federal optou por colocar uma nova regra: quem confirmasse presença, mas não comparecesse no dia, não poderia fazer gratuitamente a prova.
“Desde 2009 quando as universidades começaram a aceitar o ENEM como forma de ingressar, é o primeiro ano que tem baixa na abstenção. Sempre foi por volta de 29%, e agora foi de 25%. Mas isso tem a ver com a baixa de inscrição”, diz o professor Sandro Luís, que cita a baixa de 900 mil inscrições em 2015.

Completando, o professor afirma que, a melhor maneira para ajustar os números é reajustar o ensino médio. Ele cita que, como mostrado em dados, o maior número de participantes não são estudantes.
“”A consequência não da para saber. Eu acho que é repensar o ensino médio, pois não está incentivando os alunos a irem. Nem sempre os candidatos do ENEM são alunos de ensino médio”, finalizou.
Paulo Pelanda
Rafael Bronze