Michael, eles não ligam pra gente!

Há um aviso em todas as matérias que li sobre a PEC 241: são os mais pobres, aqueles que dependem diretamente de saúde e educação pública, quem mais serão prejudicados caso haja aprovação da proposta.
Muita gente se choca com essa realidade, se pergunta como um governo pode não se importar com quem tem menos, questiona o que Michel Temer e companhia esperam deixar para o Brasil… Além de todas as maquinações por detrás dos panos e todas as contas dos patos que estamos a pagar depois do impeachment, algo não me sai da cabeça:
Eles não se importam com os pobres porque eles não fazem ideia do que é ser pobre. Eles nunca precisaram esperar por um atendimento. Eles nunca temeram perder o ano letivo por conta de uma greve legítima de professores que são mal pagos. Eles jamais entenderão o que é depender do aumento do salário para ganhar um mínimo de poder de compra.
Isso não é importante porque não é real. “Real” é usar discurso de austeridade, é frear a gastança pública (que existe) cortando onde não afeta os seus. Aliás, essas pessoas jamais serão levadas em consideração porque, por não saber o que o pobre sofre, esse governo não consegue entender qual a razão de tanto alarde.
Eles não ligam pra gente. E não é só falta de compaixão. É falta de conhecimento. Eles não querem saber o que o pobre sofre. Mesmo que seja ele quem vá pagar o pato.
PS: venho de uma família pobre. Tive colégio particular até o fim do ensino fundamental porque uma tia era dona de escola e minha mãe trabalhava em outra. Nunca fui à Disney (coisa que muita gente da minha época achava que era certeza de riqueza), usei hospital público e, até receber meu primeiro salário de estagiário, nunca tinha tido grana sobrando pra comprar o que quisesse (e olha que meu “o que quisesse” era bem diminuto naquela época). Nunca passei fome, meus pais ralaram loucamente pra me dar ensino médio em outra cidade, mas não acho que falo sem conhecimento de causa. E, mesmo assim, vou sofrer pouquíssimo com essa medida quando comparado à maioria dos brasileiros.