Lembrar.
Lembro-me de nós.

Lembro-me da fosca parede branca, iluminada pela penumbra daquele cômodo. Lembro-me das amareladas luzes piscantes que iluminavam por milésimos de segundos, aqueles quadros feitos a mão. Lembro-me de nós, sozinhos, largados, à vontade rentes ao chão.
Lembro-me de seu sono quase profundo. Lembro-me dos seus olhos repuxados, fazendo os teus cílios pregarem um ao outro. Lembro-me dos seus lábios descansados diante do mísero travesseiro. Lembro-me de teu corpo relaxado sobre o escasso algodão. Lembro-me de teu calor. Lembro-me de mim, próximo, diante, perto de ti.
Lembro-me de minha atenção acentuada. Lembro-me dos meus olhos abertos apreciando a beleza por ti. Lembro-me da minha imaginação fértil sobre nós que desenrolava. Lembro do passar das horas que fazia o tempo parar. Lembro-me de mim, de você, da gente do lado de lá.
Lembro-me que só apreciei. Lembro-me que apenas deixei. Lembro-me que deixei o destino falar por nós dois. Lembro-me e lembrarei que não vou arrepender de não ter acontecido nada, pelo contrário, ficaria te lembrando mil vezes sobre os momentos que passei ao seu lado.
