Mote Cotidiano

Escolhi dançar a vida, como os que bailam a última valsa antes do fim da festa. 
Abraçar o calor do pôr do sol, a brisa do mar ou o frio das montanhas.
Escolhi viver errante. Amante. Falante. Constante. Vibrante.
Ao sabor dos acasos e do sonhar.
Cansei dessa moda ocupada. Dessa gente mal-amada. De tanto levar porrada e ter que calar.
Ignoro a segurança da constância. 
Meu coração palpita pela mudança. Voar.
Mas meus pés se prendem firmes ao chão, donde aprendi a caminhar.
A música vai silenciando até cessar.
Não aqueço, não refresco e não esfrio.
Sonhos se vão, em vão a vaguear.
Tudo que sobra é cinza. Ano após ano.
Com toda poeira acumulada do triste cotidiano.