Títulos
Os títulos. Uns fazem questão deles, uns não estão nem aí (tipo eu), e outros têm pavor deles. Azar dos primeiros e dos terceiros, que resumem a felicidade a títulos. Mas os piores são mesmo os últimos, que fogem deles como faz o Tinhoso ao ver uma cruz. “Não, pelo que é mais sagrado, eu não quero compromisso”. E compromisso é o quê, criatura? Duas pessoas se gostarem e viverem isso? Compromisso, pra mim, pressupõe obrigação. E, pra mim, quando a coisa começa a virar obrigação, é pq um ou outro (ou os dois) já não está gostando tanto. Tirando isso, foda-se o título “compromisso”. Um gosta do outro, e pronto. E isso pode durar uma semana, um mês, um ano, dez anos, não importa… Não tem compromisso, tem sentimento, tem tesão, tem vontade, tem bem querer etc.
“Ah, mas eu não quero saber de coisa séria”. Repito: é um gostando do outro. Eu, particularmente, prefiro conviver com alguém que mais faça piada do que fale coisas sérias o tempo todo. “Sério”: título.
“Namoro”. Ok, vocês já entenderam.
Como eu disse logo ali em cima, o problema são os terceiros, os que fogem dos títulos. Eles têm tanto medo de se verem presos a uma nomenclatura que, como mecanismo de defesa, acabam sendo escrotos (mais um título, desta vez apropriado). Eles passam a te ignorar de repente, quando veem um título se aproximando. São aqueles que acham o máximo ser livres (título), desapegados (títulos/babaquice), mas que, no fundo, vão dormir sozinhos e sonham (claro que eles jamais irão admitir) em ter algo próximo de um título. São aquelas pessoas que acham que nasceram pra ter relações fugazes, e juram que são felizes assim, até se verem GOSTANDO de alguém, e aí fogem.
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