Chuva

Fascinante! É isso! Sua força me encanta. Quando cai, parece que está molhando minha alma. Reconecta-me ao mundo natural, de onde o homem parece ter saído há alguns séculos.

A água que escorre pelo meu corpo me lembra que sou humano. Lembra que sinto o frio, o molhado. Lembra-me que faço parte de um todo maior, que estou fora de sintonia. Faz refletir. Mostra que não há beleza artificial que resista a ela. As máscaras escorrem e o que sobra sou apenas eu.

As pessoas param de se olhar, eu olho para dentro de mim mesmo e comigo converso. Diminuo o passo e respeito a grandiosidade atmosférica. Coloco-me no meu lugar. Não sou nada, um cisco no olho do universo. Mas sou um com a natureza quando sinto-me molhar. Isso vale! Isso me alegra! O que faz todos correrem, me faz contemplar.

Gosto de ouvi-la, de sentir o cheiro que emana do solo ao se abrir para recebê-la, de relacionar-me fisicamente com suas gotas, de me assustar com seus raios. Por mim, eternamente admirada!

Ela é livre! Totalmente livre! Ela faz o que quer, onde quer e como quer! Traz felicidade e tragédia, tudo depende do ponto de vista. Mas ela nunca passa despercebida! Ela merece trinta poesias! Mas ela não está nem aí, rasgaria todas as folhas. Ela não precisa!

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.