Por que você deve atentar para o trecho “Segundo a fonte…” mesmo assim?

Um dos trabalhos vivificantes da área de Marketing, é averiguar a informação. O estudo se trata do seguinte, você analisa se aquele conteúdo é significativo, depois filtra suas partes para encontrar coerência no contexto do negócio e por fim identifica o que é fato e o que não é. A outra parte passa a ser um dever interpretar correta e fidedignamente a redação. E mesmo se constar a fonte.
Mas que ambiguidade é essa de verificar mesmo com a fonte. A fonte já não assegura? A fonte pode ser citada a esmo, conforme alguns veículos de comunicação costumam proceder, parece um estepe na manchete, sem significado algum e posicionamento real de seu sentido. Fonte assegura, quando existe.
A inspiração a escrever este artigo tem haver justamente com nossa época. Ela que entrega o pedido, o requisito e toda bagagem necessária de forma automática. E o que sobra para fazer manualmente? Sobra para refletir. Mas é mais fácil aceitar o teor do que filtrar cada coisa não é? Claro, mas também considere a facilidade de cometer erros. Diariamente a informação que nos chega pode ser real ou falsa, e histórias que são reais rapidamente ganham roupagem de falso na boca de pseudo comunicadores (irresponsáveis).

O resultado é sempre um mal entendido. Ou uma falta de postura. Ora a informação nunca existiu. E agora? Uma das tarefas mais difíceis de realizar na esfera pessoal e corporativa é trazer a superfície o que é real e boato, mas o esforço vale a pena quando queremos consolidar nossa palavra como parte do sucesso.
Um homem sem palavra não precisa demonstrar mais nada que não é digno.
As marcas consequentemente sofrem deste mal cedo ou tarde por almejarem uma visibilidade de celebridade ou por não possuírem o tempo para tal tarefa¹, ao invés de atentar ao seu público, que clama por parte dessa atenção e sobretudo por uma necessidade que faz parte da obra dos Faraós, a pirâmide de Maslow, segurança. As pessoas tem desejo e necessidade por segurança, e uma informação sólida, é uma concretização desse produto tão valioso.
Se o que você possui e para onde pode o caminho te levar, não for seguro, ele pode até ser cheio de glória, mas se tiver a ausência do seguro, aposte tudo que tem, ninguém vai se aventurar. O maior aventureiro, arisco por pular sem bungie jump — ele também pesquisa se isso não vai fulmina-lo na queda, outra vez a procura por segurança.
Voltamos ao ponto de interesse do nosso artigo, fonte é uma forma de garantir a segurança. E a fonte não é uma entidade, é um conjunto de canais que permitem serem classificados como tal. Portanto a pesquisa é obrigatória mesmo assim. Alguém procura buscar mais informações de um canal de imprensa quando lê — “Segundo a portaria o MEC o TCC não é mais obrigatório”? Na maioria dos casos, não.
Vamos pega-lo como CASE.

Então o TCC persiste? Sim, mas os veículos reproduziram uma interpretação de um caso acontecido em 2004 com uma aluna de direito ( Ana Carolina D. Brilhante — clique aqui) que ao observar a mudança da legislação que tornava o TCC facultativo para a graduação de direito, dando arbitrariedade as universidades à aplicação, conseguiu dispensar o trabalho conclusivo. Fora esse caso não há direito disciplinar que o desobrigue de fazê-lo. Mas era preciso fazer duas coisas para chegar a esse fato: PESQUISAR!!!
O MEC (Ministério da Educação e Cultura) deixa a par em seu site uma gama de informações atualizadas e disponíveis de forma que qualquer pessoa no conforto de sua casa possa realizar um estudo e atentar para o que está em rigor. O portal não consta qualquer portaria de alteração que fixe a desobrigação do TCC (Trabalho de conclusão de curso) generalizado, salvo os casos que devem ser verificados um a um, através de resoluções.
Durante a pesquisa pude achar esse vídeo realizado em agosto de 2015 pelo advogado e professor universitário Dr. João Gonçalves que elucida o caso da estudante com uma possível interpretação da imprensa.
Para uma leitura mais ampla e rica do que o vídeo ilustra, o artigo no Jus Brasil, que explana de forma mais descritiva identifica a origem da fonte da informação que foi a ‘mãe’ dos boatos — Afinal, o TCC/Monografia é ou não obrigatório?
Este é o artigo que originalmente fora consultado para depois ser interpretado sem dar luz aos fatos — TCC: você sabia que NÃO é obrigatório como requisito para conclusão de qualquer curso?
Conclui-se que: TCC continua sendo obrigatório, salvo resoluções específicas².
Para melhor entender o contexto que a matéria que circula se encontra, é necessário a ciência do parecer CES/CNE 0146/2002 que institui a novas regras do ensino superior (Pág. 10) quanto a opção ou obrigação do trabalho de conclusão. Este parecer estipula o caráter opcional da avaliação, mas que deixa a critério da universidade.
Observação:
As notícias apenas usufruíram do CTRL +C (Copia) e …+V (Cola) em seus miolos do parecer de 2002 vinculado em 2015, sem inclusive mencionar a nota a seguir para os casos específicos, e tirando o mérito que a instituição poderia tornar obrigatório conforme suas decisões internas, e o caso referido da estudante ser um caso a parte quando que a legislação não havia entrado em vigor, possibilitando a ação.
¹Nota:
Não podemos desconsiderar a palavra de ordem ‘imediatismo’ como também a responsável por partes deste erros. Se na falta de tempo, a tática utilizada é ser o primeiro, e não o melhor em muitos casos. Nisso consiste parte dos tropeços.
²Nota:
Há de considerar que esse parecer instituía regulamento apenas para as graduações de Direito, Ciências Econômicas, Administração, Ciências Contábeis, Turismo, Hotelaria, Secretariado Executivo, Música,Dança, Teatro e Design.
No entanto o parecer CNE/CES 67/2003 revoga a edição de 2002. (Item 1, pág. 1).
Deixo de posse o banco de dados de pareceres de 1996–2015, dentre outros itens normativos disponível no website do MEC — clique aqui .
É de bom tom que você consulte seu curso dentro do objetivo de certificar-se que ele está enquadrado na obrigação ou opção, por isso o canal adequado para este procedimento é o canal digital e físico do MEC.
Conclui-se que esse é um dos casos recorrentes de boatos oriundos de informações semi verdadeiras, criando uma certa credibilidade, apostando também na leitura superficial de quem às lê. É seu papel certificar-se do quanto que isso significa ou não um fato, lembre-se:
A comunicação é sempre estratégica.
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