Questão de perspectiva

Vocês nunca sentiram como se a sorte ou o azar estivesse sob o nosso próprio controle? Como se o sucesso estivesse logo ali na frente, mas ainda é preciso muito trabalho e conhecimento para alcançá-lo? Ou como se nunca fossemos chegar lá, apesar de todos os nossos esforços? Pois não duvidem! Ao que me parece, é isso mesmo o que acontece. Mesmo que, às vezes, pareça difícil acreditar em clichês como “Basta apenas querer o suficiente e ir atrás”, dificilmente fugiremos desse destino. Não importa o que a vida coloca na nossa frente. O que importa é a forma como lidamos com o que ela nos proporciona.

Pense que está caminhando em uma calçada estreita. A sua frente, uma escada dá suporte ao trabalhador, que pinta a fachada de uma igualmente pequena e estreita loja. Os supersticiosos já contornariam a escada pelo meio da rua, ignorando o risco de serem atropelados por algum carro. Os despretensiosos nem mesmo perceberam aquela escada ali. Já a maior parte de nós, que vive na incerteza, não se dá o trabalho de contornar o caminho pela rua. Acha desnecessário. Passa por debaixo da escada e ironiza a situação, como se, a partir daí, fosse ter azar pelo resto do dia. E é exatamente isso o que acontece. Mais tarde, você retorna pelo mesmo caminho e resolve passar outra vez por debaixo da escada, acreditando que uma passada anularia a outra. De fato, funciona. E a sorte volta a pairar sobre o seu dia como num passe de mágica.

É tão incrível quanto inexplicável o seu dia ser influenciado por uma passada debaixo da escada. Ou por um gato preto. Talvez um pote de açúcar caído. Um espelho quebrado. É quase impossível acreditar que não há nada espiritual agindo sobre o nosso destino. Mas tenha em mente que quem controla o destino é você. Só depende de como você olha para ele. De como você se coloca diante dele. Não há, realmente, nenhuma escada controlando a sua vida. Os donos de nossas próprias vidas seremos sempre nós mesmos.

É assim que uma simples mudança de perspectiva acerca das coisas pode fazer com que você tenha cada vez mais sucesso ou pode afundá-lo cada vez mais nos problemas mal resolvidos. Pense que há sempre um lado bom e outro ruim, e isso cabe a você descobrir. Se vivemos uma vida de ódio e pensamentos negativos sobre si mesmo e outras pessoas, costumamos ver, quase que instantaneamente, os lados negativos de cada situação. Julgamos por nossa primeira impressão e demoramos a refletir e encontrar algum benefício sobre aquilo. Muitas vezes nem mesmo procuramos ver o lado bom. Nos conformamos com o ônus. A partir deste momento, parece que tudo dará errado em sua vida. E, de fato, dá.

Mas não é necessário pensar muito para ver as coisas boas que acontecem em sua vida. Basta você preparar sua cabeça para isso. Receber as notícias já esperando pelo melhor e, mesmo quando o pior acontecer, lembre-se das mínimas coisas que ainda te suportam e te fazem feliz. Todos somos vencedores por termos nascido. E a vida não é o que acontece com você, mas o que você faz com isso. Não é sobre os limões. Nem sobre a limonada. Mas sobre a vontade de matar a sede e o seu próprio esforço pessoal ao poder fazer aquele suco. Quanto mais trabalho tivermos, mais saboroso será o primeiro gole.

Se eu pudesse formatar um sistema ou lógica para treinar nossos cérebros a pensar de forma mais otimista, eu diria que nossas vidas são como uma série de filmes. Cada um vive o seu próprio filme, e como toda história é preciso ter um início, meio e fim. Um longa-metragem de duas horas sem nenhum ponto de virada, ou seja, nenhuma mudança radical no contexto em que cerca a personagem, se torna chato demais e você acaba dormindo. Se não há uma problemática a tratar, não existe história pra contar. Pense em sua situação atual como um filme. Seus problemas são os pontos de virada. A trama está toda centrada na resolução desse problema, que pode vir de forma fácil e sem muito trabalho, ou de forma complexa e muito difícil para acreditar que foi possível. Ao final desse filme, você evolui para a sequência, enfrentando novas dificuldades e vivendo inúmeros outros pontos de virada até, finalmente, se tornar uma franquia de sucesso. Qual destes dois filmes você quer viver? Aquele chato e monótono, onde as coisas acontecem de forma fácil e até meio óbvias? Ou aquele que, no final, te deixa de queixo caído, sem palavras pra explicar o sentimento que seu desfecho lhe causou?