“Si hay gobierno soy contra”

Não posso dizer que tenho acompanhado assiduamente o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, nem mesmo as notícias mais recentes sobre o governo Temer, mas é impossível não notar a falta de coerência desse povo que me aparece no feed do Facebook. Não venho aqui, também, falar de ideologias políticas pessoais ou publicar uma simples indireta pro pessoal que segue naquela mesma máxima dita, certa vez, por Che Guevara: “si hay gobierno soy contra”.

O ser humano por si só já é uma criatura infeliz com o que tem. Ambiciosa. Que sempre está querendo mais e nunca se sente completamente satisfeito só com o que tem em mãos. Não é nenhum problema, também, buscar sempre mais e melhor. Mas alguns aí devem estar pensando que a mudança ocorre de um dia pro outro. De um impeachment pro outro. E as opiniões nunca mudam. Seguem todas baseadas na mesma manifestação infundada da maioria. Isso só comprova que, apesar dessa rede social nos dar tanto espaço para expressar opiniões, cada vez menos pessoas têm, de fato, uma opinião própria.

Se a Dilma está no poder tudo que se ouve é “Fora PT”; “Bolsa Família tá acabando com a nossa sociedade”; “Eu que não vou dar dinheiro pra pobre ficar escorado sem trabalhar!”. Por outro lado, quando o Michel Temer assume, os mesmos comentários negativos continuam. “Fora Temer” ou “É golpe político!”. Agora, em meio aos pronunciamentos da ex-presidente em seu próprio processo de impeachment, as mesmas pessoas que ora diziam Fora PT, ora diziam Fora Temer, agora manifestam seu apoio à “uma militante que lutou contra a ditadura e já fez tanto pelo nosso país e pelos pobres”.

DECIDAM-SE! Façam a sua própria cabeça e escolham melhor da próxima vez. Caso vocês não lembrem, as eleições acabaram de acontecer, e a maioria achou por bem eleger, de novo, as mesmas pessoas. Querem mudança? Então valorizem as caras novas de cada eleição. Prestem atenção no que estão fazendo e depois acompanhem seus candidatos. Tenham embasamento crítico pra reclamar e reivindicar seus próprios direitos. Lutem para que os demais brasileiros também sejam ouvidos e atendidos por esse sistema, que não é teu, nem meu, mas de todos nós.

Se tudo o que sabemos fazer é reclamar sem argumento, ou ser a oposição a tudo que está no poder sem nem mesmo entender que poder é esse que todos estão falando, nunca vamos ser tratados com seriedade. O povo não deve se comportar como duas facções em guerra. A esquerda contra a direita. O civil contra o parlamentar. O pobre contra o rico. Nós devemos nos unir e construir um país melhor baseados na necessidade de todos, sejamos brancos, negros, homens, mulheres, gays ou héteros. Sejamos descendentes de franceses, japoneses, alemães, italianos, africanos, americanos, filhos de escravos ou de grandes empresários, de nada adianta continuar nessa guerra civil disfarçada.

Enquanto ficamos aqui reclamando do que vimos na TV ou no nosso feed do próprio Facebook. Enquanto mudamos de opinião e discurso por uma simples troca de presidentes. Nenhum político vai nos levar a sério. E todas essas opiniões que eu vejo por aqui vão continuar apenas desvirtuando um trabalho que já deveria ter sido feito há anos, mas que não acontece pois todos esses problemas ideológicos e sociais ficam na frente e impedem que as decisões sejam tomadas. Aprendam a deixar suas diferenças de lado e, acima de tudo, aprendam a ouvir antes de falar. Você não manda neles, nem eles mandam em você. Você não paga o salário deles (até porquê o que você paga em impostos não chega a um terço do que apenas um deles recebe), nós todos pagamos. Sozinhos, nenhum de nós tem autoridade pra impor opiniões nem exigir o que apenas nós achamos que é nosso por direito.

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