O teste

Cortei o cabelo pra dar aquela melhorada na auto estima. Acordei mais cedo. Sai mais cedo de casa. Vai ser um dia bom? Façamos o teste.

Este texto é um experimento, e será escrito a cada acontecimento do meu dia.

Ta ventando muito. Sinusite, cabeça raspada e vento, não combinam. É primavera, óbvio que sai sem toca. Chegando no ponto o ônibus passou, o motorista que já estava indo, resolveu esperar. O trem veio logo.

“Estamos circulando com maior tempo de parada e velocidade reduzida” disse a voz do trem. Algumas pessoas acumuladas na porta dificultaram minha saída, mas não tanto.

Desci do ônibus, o farol tava desligado e o trânsito sendo organizado pela CET. Eu já estava em cima da hora, então subi a rua correndo. Cheguei no escritório no horário e não adiantada, como havia planejado. O portão estava fechado. Não tinha ninguém. Começou a chover.

Ganhei uma bolacha e um tablete de batom do Zé, o pedreiro.

Fiz café.

Dei uma pausa pra tomar café e minha chefe chegou. Ela me pediu uma arte. Eu não sabia como fazer. Me senti mal e pensei que preciso de um curso, saber como se faz um fotolito. Tentei, tentei, tentei.

Sentei com o pé na cadeira e vi que tinha pisado na merda. Desci pra lavar a bota no tanque.

Senti vergonha por ter trinta anos e não saber fazer a arte. Pensei em ser camelô. Tentei, tentei, tentei. Consegui. Ainda tenho muitos problemas com estética, então precisava de alguns ajustes. Ajustei e ela aprovou.

Fiz uma arte, ficou horrível.

Sai do trabalho, fui na ótica buscar meu óculos que deixei pra consertar. Não era hoje o dia de buscar.

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