Futebol na terra do 7x1 — Primeiro tempo

Como é assistir a um jogo do FC Köln na Südkurve, a geral do Rhein Energie Stadium em Colônia, na Alemanha.

Desde 1997 o FC Köln não participava de uma competição continental. Hoje, depois de duas décadas, o clube estreia contra o Arsenal pela Europa League. O jogo é em Londres, mas a torcida se comporta como na Südkurve — que, aliás, foi de onde eu assisti a um clássico em 2015. Amanhã esse jogo completa dois anos e, como eu não acredito em coincidência, resolvi republicar a minha experiência. Espero que gostem! :)

Vir pra Alemanha um ano depois da Copa do Brasil não poderia ser diferente: qualquer pessoa que se interesse minimamente por futebol fala daquele fatídico dia. O que, na verdade, também é minha culpa, porque eu tenho usado bastante essa camisa:

Todo dia é um 7×1 diferente. Oferecimento: Capa Camiseteria. Comprem muito preu pedir participação nos lucros.

Aqui em Colônia as pessoas respiram futebol. Até tem os que odeiam, mas ninguém é indiferente. Köln foi cidade-sede da Copa de 2006, o Sommermärchen* alemão, e é a casa do 1. FC Köln, time tradicional da Bundesliga.

O Effzeh (FC) é atualmente o quinto maior clube da Alemanha, e tem passado por altos e baixos nos últimos tempos, incluindo alguns rebaixamentos.

Lembra alguém?

Mesmo assim, conseguir ingresso pra assistir a um jogo do FC no RheinEnergieStadium é tarefa difícil. Os jogos costumam ficar todos sold out antes mesmo do início da temporada, mas os sócios podem comprar um passe para o ano todo: custa cerca de €200 e dá direito a ver 19 jogos à sua escolha (comparação: os raros ingressos de última hora custavam €65).

É molezinha, só precisa passar o cartão na catraca e, voilá, dentro. Não precisa comprar ingresso, reservar, nada. Além disso, o cartão também serve como prova de sócio torcedor e dá desconto na loja do clube.

Foi com um desses que eu consegui assistir ao clássico FC Köln versus Borussia Mönchengladbach no último sábado. Jogo em casa, FC bem no campeonato e, melhor ainda, o Borussia há um mês sem fazer pontos.

Mönchengladbach é uma cidade bem perto daqui, então esse jogo é tipo um Vasco e Flamengo em termos de rivalidade. Com a diferença de que as pessoas são zilhões de vezes menos agressivas e os dois times têm estádio :P. Não tem essa de derby em campo neutro, cada um com seu mando de campo e torcida visitante minúscula.

(Informação ~relevante: o Borussia MGB é o time onde jogava o Kramer, aquele migo da seleção alemã que bateu com a cabeça no meio do jogo e foi perguntar pro árbitro se aquela peladinha que ele tava jogando era a final da Copa)

O jogo foi às 15h30 e desde de manhã já dava pra ver a cidade pintada de vermelho e branco nas camisas, nos casacos e principalmente nos cachecóis. Quem não ia pro estádio rumava pro bar e quem tinha ingresso se aglomerava pra pegar o S-Bahn.

Coisa linda a estação lotada de gente indo pro jogo! O clima de festa já começava ali: música de torcida, conversas sobre a escalação, retrospecto e uma zoadinha básica no rival. Muitas famílias e mulheres, mas, ao contrário do Brasil, poucas crianças. As menores, então, nem sinal.

O S-Bahn para na porta do estádio e por todo o caminho se vê o aglomerado de torcedores chegando ou fazendo uma hora no bar, se aquecendo com uma Kölsch. Aliás, o nome da estação é RheinEnergieStadium, então não tem erro.

Muitas placas e sinalização perfeita no entorno. Na verdade é quase impossível se perder em qualquer lugar de Colônia, e no estádio não é diferente. Mas se mesmo assim você precisasse de uma informação, um pequeno staff estava à postos, falando também em inglês.

Como o meu cartão não era meu, evitei perguntar qualquer coisa e segui o fluxo. Veja bem, até eu, que me perco em qualquer buraco desse mundo, consegui me achar facilmente. Antes de entrar fiz uma pequena pausa pra tirar cinco mil fotos e treinar meu alemão comprando um cachecol pra ficar a caráter.

Ah, falando nisso, o estádio tem a fan shop gigantona, mas em dia de jogo espalham trailers e mini lojinhas por todo o local. Assim evitam filas e vendem que é uma beleza: nos dez minutos que eu levei pra escolher entre vinte modelos de cachecóis (juro, 20!!!) eles fizeram uns €350. Em dez fucking minutos. Tá ouvindo uma voz dizendo “Gooooool da Alemanha”? Eu tô.

Nota:

*Sommermärchen: conto de fadas de verão. É como os alemães se referem àquela Copa. Fizeram até um filme! Isso porque eles chegaram em terceiro lugar, imagina como não vão chamar essa…

Aliás, razão pela qual eu me lembro dessa Copa:

Podolski e Schweinsteiger before it was cool. Nem existia selfie ainda.

Olha essa foto e me diz se não foi um investimento. Quem diria que anos depois Basti ficaria tão maravilhosamente maravilhosíssimo? Poldi já dava sinais de ficar gatinho, mas esse pacto do Schweinsteiger parece que fica melhor a cada ano… *suspiros*

(Segunda razão pela qual me lembro dessa Copa: esse vídeo maravilindo)

*texto publicado originalmente em 22 de setembro de 2015, no blog Excesso de Bagagem. Link aqui.

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