Já são 03h.

O fogo que antes esquentava a casa agora é só brasa semi apagada.

Ele se levanta e acende seu cigarro.

Passou mais tempo que devia pensando sobre o passado que ainda o assombra. A intenção é que a fumaça acabe com o que ele tem por dentro, que cada pequeno miligrama de nicotina o faça se destruir um pouco a cada tragada. O vício toma o lugar da dor, já que a mesma roubou a ternura que nutria por alguém. Ele se apega a pequenos prazeres suicidas e assim vive bem. Controla a morte em seus dedos longos e frios, tens como uma aliada. Anseia sua visita. E ela virá! Virá como uma companheira distante que o perseguiu por anos. Agora, só deseja te levar com ela, fazer de ti mais um de seus retratos em preto e branco.

Um vento forte bate em seu rosto e te faz lembrar que mesmo quando está quente por dentro, o frio ainda te alcança no mínimo deslize, na mínima distração.

Perdido em seus pensamentos, ele se queima com uma pequena faísca que escapa da bituca curta na mão direita.

Fecha a janela e reabastece sua lareira. A noite é longa, o maço ainda está na metade e a vida?

Ah a vida!

Pra ele, ela nem começou…

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