Presença para que o presente possa chegar até você;
O presente que Sorocaba me deu.
Passei dois dias em Sorocaba com uma grande flor, que cultiva essa jornada junto a mim. O convite, feito por ele e pelo universo, era de acompanha-lo em um dia muito importante de sua vida. Um dia de desconstrução do Eu que temia dar um passo essencial, em diração ao desconhecido. Um dia que o convidava apenas a Ser e Estar no lugar de onde a espontaneidade floresce. Um dia para onde o medo o guiou, o engoliu e pode finalmente entregar seu grande Presente.
Presente, aquele, que brota somente da presença.
O medo me acompanhou desde o começo. Senti um profundo desconforto ao me imaginar Estando ali, com todos seus amigos, no lugar onde a pequena flor nasceu. A criança ferida, que mora aqui dentro, disse muitas vezes, persistentemente, que eu não era merecedora desse “presente”.
Ir para Sorocaba? Como Assim? Você é maluca? Ele quer que você esteja lá? Posso? Devo?
Ele não precisa de você.
Será que sua presença será bem recebida por ele?
Mas, o lugar aqui dentro onde simplesmente Sou, gritou mais alto. – Diga sim. Ele me desafiou. E então, como costumo utilizar o medo como meu maior guia, eu arrisquei, confiei e disse sim. Disse sim antes mesmo de pergunta-lo. Disse sim antes ter a oportunidade para alimentar todo meus pensamentos, perturbados pela criança ferida. Disse sim e simplesmente fui.
Sem planos, sem lugar para ficar, sem ter certeza alguma de como seria. Abrindo mão do controle, enquanto ela se agarrava ao medo.
No escuro, pisei fora da minha zona de conforto e por simplesmente ter sentido esse Chamado, dei o primeiro passo – em meio a um grande Nada. O medo foi junto, apertando minhas mãos. Quanto mais ele crescia, mais certeza eu tive que estava no caminho certo. No meu caminho. E foi o caminhar (no escuro) que fez o caminho.
Fui em direção a esse grande vazio, e e pude contemplar dois dias de puro Ser e Estar. No processo percebi que meu maior medo era do próprio “por que” no qual estava indo, medo do presente, da minha própria presença naquele lugar. Medo de Estar de verdade, com ele. Medo da minha presença onde quer que for, com quem quer que fosse.
Tive medo da força do Presente que o medo me entregava sorrindo, embrulhado no papel mais dourado e reluzente, de bandeja. Tive medo da força interna que brota, tempo a tempo, aqui dentro. Força essa que me desafia a enxergar minha própria presença por inteiro.
Desafiador, não? Enxergas a si sem máscaras, sem atuação, sem desculpas e capas de invisibilidade. Desafiador observar que somente somos porque, e o que, acreditamos Ser.
Depois de muita dor pela resistência, cansei. Aceitei e me permiti estar.
E quando aceitei o momento meu maior medo se transmutou em meu maior presente: a minha Presença – em Sorocaba, e aqui dentro.
Senti a quebra, muitas vezes dolorosa, de paradigmas internos e pessoais, que eu mesma criei e que não cabem mais nesse Ser em expansão. Quando Me trouxe para o Sentir, Fluir e Ser – no Agora – senti medo. Senti medo por que percebi a grandeza e o Poder do presente que eu estave me dando. Pude observar a minha real presença, e então a dele, nesse dia tão especial para nós. Para nossa presença que se reconhece, sem máscaras, sem passado, futuro ou intenções. Presente esse de se estar-junto-fora-do-tempo que a presença nos proporciona.
Volto para São Paulo com muitos presentes. E o maior deles é o amor pela minha própria presença, aterrada junto em minhas mãos, escrevendo esse texto. Presença que quebra qualquer lei da física, qualquer caixa, qualquer regra que não cabe mais nesse novo lugar. Presente que ultrapassa os limites do corpo e de qualquer outra coisa que nos distancie do que Somos.
Presenciei um dos melhores presentes que recebemos até hoje. E observo, desse novo lugar, que só na presença temos a oportunidade de receber esses presentes da conexão. Somente no Estar acontece o real relacionar-se e conectar-se, que toca profundamente o Ser de qualquer pessoa. Onde o infinito de possibilidades se abre e então acontece a união.
O Ser Um Só Ser.
O convite que fica, para mim mesma e para quem quer que sinta no coração, é de Estar aberto a receber esses Presentes da nossa querida Presença. Receber o Amor que somente se sente no presente. Na força do Aqui-e-Agora, e no acolher-se de si mesmo na presença do seu Ser aterrado.
A força interna de realização, que reside na presença, fica mais perto do que você pode imaginar – se abra. Chame a presença para sua vida.

Obrigada, pelo presente que sua presença nos proporcionou.
Apenas sendo, estando e presenciando, Rafaella Piazza.