Preconceito nosso de cada dia

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É o cúmulo da ignorância uma pessoa se achar mais capaz, mais bonita, mais merecedora, mais inteligente, mais forte, enfim, melhor do que o seu próximo por conta da cor, classe social, opção sexual, política, religiosa, etc. Já ouvi histórias extremamente cabeludas que refletem como o preconceito está enraizado na mente das pessoas. Às vezes, bem escondido no inconsciente. Em outras, estampado no consciente, coração e lábios.

Decidi, então, transformar em texto alguns relatos que já ouvi e mostrar para vocês, numa tentativa de quebrar tabus, combater a ignorância e deixar claro como o preconceito está presente em nossa sociedade e bem próximo de cada um de nós. Vou alterar os nomes dos envolvidos e alguns detalhes para proteger sua identidade.

- Maria é uma linda menina negra de oito anos. Ela é tímida e também muito inteligente. Uma boa leitura a atrai mais do que brincadeiras em grupo com outras crianças. Ela estuda em uma escola pública na cidade de São Paulo e foi vítima de preconceito pela própria diretora do colégio. Certo dia ela foi para escola e uma parte da manga do uniforme estava com uma mancha que passou despercebida pela mãe. Numa manhã os alunos estavam indo em direção às salas quando Maria passou pela diretora. Ela a parou, apontou para a mancha na roupa e disse:

“Como você vem para a escola com o uniforme nesse estado? Você já é negra, agora vai andar com o uniforme encardido também?”

A menina ficou sem reação. Ao chegar em casa contou o ocorrido para a mãe, que no dia seguinte foi tirar satisfação com a mulher.

“Falei brincando. Você tem que ensiná-la a não levar tão a sério essas coisas”, foi a resposta que ouviu. A mãe denunciou o fato e a diretora foi substituída.

- Luíza é haitiana e mora no Brasil. Ela tem um filho de um ano que deixa na creche para que possa trabalhar. As educadoras sempre insistem para que ela corte os cachos da criança e ela sempre responde que não. Um dia quando pegou a criança foi surpreendida ao ver que ela estava com os cabelos lisos! Isso mesmo, alisaram o cabelo da criança. Ao ser questionada a educadora responde:

“Temos que devolver as crianças arrumadas para os pais”.

A mãe colocou o filho em outra instituição e processou o colégio. Está perto de ganhar a ação.

Quer dividir comigo alguma situação sobre preconceito? Não é difícil me contatar https://www.facebook.com/rafaella.rizzo