Quando a vida real imita a arte

Você já assistiu ao filme “Malévola”? Isso, aquele remake de “A Bela Adormecida”? Se não, sugiro que veja. É uma historinha bem simpática. Mas para os que já viram quero que tragam uma cena do filme à memória. Lembrem de quando as fadas levaram Aurora a um bosque. Ela, ainda bem pequena, corria atrás de uma borboleta. As fadas estavam envolvidas em suas discussões e nem notaram que a criança caminhava em direção ao penhasco. Malévola assistia à cena e, surpreendendo a todos nós, impede que ela caia fazendo com que os galhos de uma árvore próxima segurem Aurora. Assim, ela salva a menina que, por ser tão pequena, nem fazia ideia do perigo que correu e de quão perto chegou da morte. Fique com essa cena guardada na mente enquanto faço outro relato.

Há um tempo me apaixonei por um jovem. Não foi um simples gostar, eu me apaixonei de verdade. Por alguns meses conversava com ele pelo Facebook ou Whatsapp até de madrugada, mesmo tendo que trabalhar no dia seguinte. Quando falávamos por telefone a conversa durava, facilmente, quatro horas. Sabe quando parece que a pessoa tem tudo a ver com você? Nós não namoramos, ficou só no papo. E graças a Deus por isso. Ele não era de Deus, praticamente nem n’Ele acreditava e eu sabia disso. Mas fingia não ver. “Eu vou ajudar ele a se converter”, pensava. Tão ruim quanto ser enganado é você se enganar. Se um dia construíssem uma máquina do tempo eu voltaria naquela época só para me dar uma surra. Sério. Pois é, foi isso que eu permiti a paixão fazer: me cegar, me enganar, me afundar. Mas a ficha demorou para cair. No começo tudo parecia lindo, delicioso, borboletas no estômago, mel na boca.

Agora vamos juntar os dois relatos. Lembra da Aurora caminhando atrás da borboleta e prestes a cair do penhasco? Vou te dar um tempo para assimilar.

Talvez você não tenha demorado mais do que 30 segundos para entender. Já eu demorei mais de um ano. E só cheguei a essa conclusão da seguinte forma. Em alguns meses de conversa percebi que ou eu escolhia essa paixão (lê-se mentira ou cilada) ou uma vida decente com Deus. A cabeça sabia a melhor opção. Já o corrupto coração queria correr desesperadamente em direção ao penhasco e pular de cabeça. Mas torturei o coração e cortei o contato com a pessoa. Sofri, chorei, me arrependi. Fiz a corrente da Terapia do Amor para me curar da burrada que fiz. E me curei dessa situação. E um bom tempo passou.

Recentemente acabei revendo a pessoa e vi que ele tinha se jogado de cabeça no mundo. Vícios, noitadas e tudo o mais. Eu congelei. Naquele momento, desespero, temor e tremor tomaram conta do meu ser. “Meu Deus, o que era para ter acontecido comigo?”, a frase gritava dentro de mim. Em um segundo eu imaginei o que eu seria se tivesse continuado com aquilo. E se tivesse namorado com ele? E se não tivesse dado tempo de parar? Onde eu estaria? Como estaria minha alma? Eu teria voltado para o mundo? Eu teria perdido minha salvação?

Chorei. Senti vergonha, culpa, medo, arrependimento, dor. Naquele momento percebi que naquela época estava como Aurora: atrás de uma borboleta em direção ao penhasco. E , assim como Malévola fez com Aurora, Deus gentilmente me salvou. Agradeci. Agradeci muito e implorei compaixão.

É difícil lembrar de tudo isso. Você se ver tão infantil, imatura, burra, sentimental e cega. Mas creio que isso pode ajudar alguém que esteja caminhando em direção ao penhasco a ter coragem de perceber e se salvar. Deus teve tanta misericórdia, faltam até palavras. Por favor, pela sua alma, cuidado com o penhasco.

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