ideia idiota
Ter menos ideias e deixar o pensamento solto. Sem que seja óbvio ou objetivo demais.
Tem que ser livre, mas não pode ser idiota. Nunca pode ser idiota. Ninguém é idiota.
Nunca houve na história um idiota. Ou pelo menos eles não foram registrados. Tirando, é claro, os maiores idiotas de todos os tempos. Um caminho que não pretendo seguir… Mesmo que pareça ser dos meus caminhos o mais natural… Tentador e confortável…Pode ser meu plano reserva.
Tem que ser algo espontâneo e leve, mas espontaneadada não é algo que se tenha e leveza passa voando longe da escrita.
Vou parar de escrever. Não existe porque ficar nesse mundo de branco frio e tipos pesadas. Lugar em que tão poucos leitores se aventuram entrar (principalmente no texto de um desconhecido).
Não julgo quem não gosta de ler. É um trabalho imenso se concentrar nas sequências e construções de um outro. Ainda mais sem receber nada por isso.
A escrita foi feita por escritores e burocratas. Gente de verdade fala e não escreve nada.
Vou começar a falar. Vou comprar um microfone e uma caixa de som. Vou xingar as pessoas na rua. Tirar delas toda atenção que elas podem dar.
Por um segundo a minha fala vai ser a coisa mais importante da vida delas. Uma atenção que quase nenhum escritor consegue ter.
Essa vai ser minha poesia, minha história. O idiota que xinga sem motivo.
Se eu levar isso ao extremo talvez um dia escrevam sobre mim. Vão usar meu nome para descrever tendências: isso é tão Rafael (vão dizer ao se deparar com algo verdadeiramente idiota). Talvez eu tenha um busto, o nome de uma rua ou ao menos uma coletânea de ocorrências policiais.
“Ei sua velha estúpida! Aposto que essa roupa era horrível mesmo na sua época de merda.” — Nogueira Rafael