O mundo de Jack é um cativeiro pequeno

O longa canadense-irlandês, que recebeu quatro indicações ao Oscar, é um forte drama de uma mãe e de seu filho que nasceu em um cativeiro (ou num quarto).

Inspirado no livro best-seller “Quarto”, da escritora irlandesa Emma Donoghue, o filme Room (Quarto de Jack, no Brasil), indicado a quatro categorias do Oscar (incluindo Melhor Filme), é, talvez, o filme mais impactante, sensível, pesado e, ao mesmo tempo, leve dentre os concorrentes.

A história é narrada pelo garotinho de cinco anos chamado Jack. Desde que nasceu, Jack sempre acreditou que o mundo em que vivia se resumia ao quarto pequeno em nasceu e morou até então, com pouquíssimos objetos como a cama, o armário, a pia, a banheira e a mesa. Tudo que não estava ali, era ensinado por sua mãe como algo “de outro mundo”, ou irreal.

No entanto, o que filho não sabia é que sua mãe foi enganada quando mais nova e presa em cativeiro por sete anos, sendo estuprada diariamente, o que a levou a engravidar e, consequentemente, a ter seu filho Jack.

O enredo dá um engate quando a mãe percebe que a maturidade de seu filho, agora com cinco anos, pode acabar salvando a vida dos dois. E, a partir daí, o telespectador segura o fôlego do início ao fim da execução do plano. Segurar o fôlego parece curioso, visto que o filme acontece, até então, dentro do quarto, e, pelo menos a mim, uma sensação próxima à claustrofobia (embora eu não a tenha) nos deixa impacientes, num ambiente tão pequeno em que duas pessoas levam a vida — um verdadeiro ato desumano.

Simples assim? Infelizmente não, o melhor do filme, em minha opinião, vem a partir do que ocorre até o fim. Assistimos cenas de verdadeira profundidade psicológica dos protagonistas que tocam, sem qualquer dúvida, em todos os nossos sentimentos mais profundos, inclusive no que diz respeito à relação mãe-filho, principal temática desenvolvida pelo filme.

No mais, é necessário destacar a belíssima atuação não só do pequeno ator Jacob Tremblay (de apenas nove anos), como também da atriz Brie Larson, que, longe de ser favorita ao prêmio indicado, consegue desenvolver a profundidade de sua personagem com maestria.

Bem como seus atores, é bastante provável que o longa saia da premiação no próximo domingo de mãos vazias, mas, francamente, isso não significa nada. Basta que lembremos do sensível Indomável Sonhadora (Beasts of the Southern Wild), de 2012, que, embora sensível e impactante, saiu de mãos vazias.

Levar uma estatueta está longe de significar bastante coisa ao vencedor e, muito menos, de desqualificar os “perdedores”. “O quarto de Jack” precisa ser visto para que possamos levar conosco os belos ensinamentos que ele nos traz.