A hermenêutica do mural

Tem um grafite num lugar em Porto Alegre. Eu não sei bem que tipos e escolas de grafite existem hoje em dia. Não que isso importe, mas de cara, assim, eu acho um tanto difícil classificá-lo em um “estilo”. Primeiro porque, como já reforcei, não tenho a mínima ideia sobre isso. Sei que tem muita gente na Vila Madalena (e em muitos outros lugares) que paga milhares e milhares de reais por uns murais de umas pintas tranzantes e tal.

O segundo motivo é porque eu acho o troço tão genial que imagino que todo o mito de perfeição que eu construo em cima de tal da obra se esvaziaria para mim se eu tivesse que fazer tal taxionomia.

A rua fica no começo da divisão de um bairro que segue a linha da grande avenida que o atravessa. Se irmos no sentido centro-bairro, a impressão evidente é de que naquele momento o bairro começa a mudar de figura. Começa a tomar a ambiência de um bairro mais classe “alta” do que “média-alta”, terminando derradeiramente num grande e pomposo shopping.

E é exatamente nesse espaço que o desenho do muro aparece…

Eu não passo com tanta frequência pela rua em questão. Isso também não entra em questão.

O lance é que a tal da imagem é, até hoje, enigmática para mim. E confesso que nesses tempos atuais em que cada vez mais questionamos alianças e conflitos em diferentes escalas da nossa vida política (toda vida, no caso) eu ainda não consigo ter certeza se o que está desenhado é um aperto de mãos entre amigxs ou uma queda de braço…

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