As consequências da estratégia de Lula após os mega eventos

Encerramento de uma era início de outra.

Passados os eventos internacionais, com toda a euforia, ansiedade, insegurança e angústia, ficou clara a estratégia do Lula.

Lula entendeu que, para mudar o Brasil de verdade, seria preciso uma mudança cultural profunda, para acompanhar a lenta evolução social. E que não poderia depender dos veículos culturais nativos para isso, por serem totalmente comprometidos com os interesses corporativos multinacionais.

A estratégia então foi furar o bloqueio apelando aos valores cosmopolitas de uma classe média eternamente em busca de validação internacional, pela falta de identidade própria.

A estratégia foi arriscada e arrepiou os agentes mais puristas, que acreditam que apenas através do desenvolvimento de uma identidade cultural própria poderemos ser uma Nação soberana.

Eles estão certos. Mas também sabem que é impossível contornar o dilema no país do monopólio cultural daquele grande veículo. Daí as ações políticas desse grupo para rejeição desse monopólio, que, eles sabem, não vai dar em nada.

Trazer os holofotes da mídia internacional para registrar o que a mídia nativa sonegou, para que, por tabela, o brasileiro médio percebesse o valor do projeto do PT foi a carta que restou.

Mas Dilma adotou outra percepção.

Dilma acreditou na mudança social como suficiente para que o país evoluísse automaticamente rumo ao desenvolvimento.

Lula, tendo passado por um debate editado aos 45 do segundo tempo, o cancelamento de debates, conhecendo como poucos o peso da opinião publicada nesse país sequestrado sabia que era preciso mais.

Seria preciso continuar pagando o preço do resgate cobrado pelo PMDB. 

Estamos agora vivendo o resultado de um choque cultural.

A classe média apenas hoje compreende que o Brasil que não deve nada aos outros. Que o Rio de Janeiro é uma cidade na mesma liga de Tóquio, Londres, Barcelona ou Los Angeles. Que ser brasileiro é também ser cidadão do mundo.

Como Lula previu, foi preciso um banho de marketing internacional para isso.

Se a legitimação do Brasil tem uma mancha, é preciso reconhecê-la, debatê-la, superá-la, e recuperar a estratégia traçada por Lula, apontando a sensação de orgulho que vivemos hoje em algo construtivo para nosso futuro.

Após a morte da esperança como política, as próximas eleições serão decididas pela correlação de dois sentimentos: o ódio e o orgulho. Se o orgulho nacional vencer o ódio, estaremos no caminho certo; Se o ódio continuar ganhando no tapetão, teremos graves dificuldades em construir uma agenda positiva.

Mas o verdadeiro problema será se o ódio se unir ao orgulho nacional. Aí o risco que corremos é muito mais sério: o próprio fim de um país.

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