Sob a Luz do Luar

Nos últimos anos, o cinema norte-americano tem se aberto mais para discutir temáticas sobre homossexualidade e raça. Pessoalmente, não me lembro de ter assistido um filme como Moonlight, que fala especificamente sobre a homossexualidade na comunidade negra norte-americana.

Moonlight conta em três capítulos a história de Chiron, um garoto negro, tímido e introvertido que desde cedo é discriminado em sua comunidade, por segundo as pessoas ao seu redor, ter características homossexuais. Ele é constantemente perseguido por seus colegas, reprimido por sua mãe e tem como único ponto de referência, Juan, um traficante de drogas, que junto com sua namorada o acolhe como seu próprio filho.

No começo do filme, todos querem que Chiron seja outra pessoa, que ele seja o que é esperado do estereótipo dele dentro da sociedade. Ser duro, não aceite a provocação de ninguém e que resolva seus conflitos na base da violência. Quando busca aparentar ser outra pessoa, o mundo também não o aceita.

O filme permite presenciar os fatos durante o crescimento de Chiron que o fizeram ser quem é, tratando a questão de sua sexualidade e como ela é recebida dentro de sua comunidade de forma delicada e realista.

O filme tem uma fotografia impecável e tem de ser ressaltado a direção de Barry Jenkins que utiliza a qualidade de seu elenco e constrói cenas que se desenvolvem naturalmente, os silêncios e olharem que parecem tornar Moonlight lento, na verdade são carregados de significados como gestos, olhares e ações dos personagens.

Apesar de ser um filme com uma temática única, na minha opinião, alguma coisa falta em Moonlight. O filme não me surpreendeu, por não trazer uma nova perspectiva ao se olhar para as questões que trata.

Mesmo assim, isso não anula Moonlight como um filme que consegue tratar algo tão delicado como sexualidade, raça e preconceito de maneira quase que poética em certos momentos.