Ouvir ouvindo

Esse negócio de gosto é verdadeiramente curioso. Principalmente quando o assunto é música. Nada pode ser tão pessoal quanto o que você considera bom ou ruim. Não estou falando de crítica, saber escutar um som e colocá-lo na sua devida prateleira é função para cada vez menos pessoas no Brasil. Poucos de verdade conseguem pegar uma banda e dizer sem influência de vários fatores se essa banda é ruim ou boa, se tem um lugar na história ou não ou e qual a relevância da sua obra.

Ainda mais quando o que você disser faz a diferença quando você encontrar a pessoa no boteco na noite seguinte e alguns deles são até seus amigos. Fica aquele climão…

Escuto todo tipo de música, todo mesmo, há muito tempo. De bandas obscuras e mega sucessos, da música clássica a um cara que passa 40 minutos fazendo zoada com microfonias de guitarras, meu ouvido passa por lá. E isso me faz gostar de coisas que sei que na verdade são uma porcaria. Aí entra o gosto.

O gosto entra também na hora de desprezar profundamente algumas (muitas?) unanimidades que o povo adora e eu acho chato de não aguentar nem ouvir falar. Aí o gosto se mistura com a capacidade crítica e isso joga para o alto o nível de desprezo por um punhado dessas coisas. E são cada dia mais.

Mas não posso ignorar que elas existem, tanto pelo meu lado “profissional” de querer saber escutar música, quanto pelo o que gosto de ouvir. Uma rápida explicação do que é “saber escutar” música. É ouvir um trem e saber de onde veio, suas influências, se é um som original ou só uma cópia descarada do que já existe por aí.

Por isso música é esse negócio tão fascinante. E por isso não dou muita importância a esses grandes festivais que escalam 8531 atrações, mas na verdade salvam uns dois ou três, tudo isso ao custo de várias centenas de reais. Gastaria tudo em disco ou nas casas de shows que tentam descobrir as novas obras-primas. Pois afinal as coisas consagradas de hoje já foram bandas ou artistas iniciantes em algum momento.

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