Spotlight do Facebook, por que não?

Sério, por que não? Também não sei, queria que algum executivo do gigante azul pudesse me dizer

Cartaz do filme Spotlight

Assisti o filme “Spotlight: Segredos Revelados”, em inglês nomeado apenas “Spotlight”. Aclamado pela crítica, o longa retrata a equipe de jornalismo investigativo do jornal norte americano “The Boston Globe”, durante a busca e evolução da história sobre estupros em grande escala cometidos por padres em Boston e abafados pelo alto escalão da Igreja católica.

O filme é especialmente forte por mostrar todo o processo pelo qual o bom jornalismo investigativo passa em busca de uma história. Obviamente havia muitos interesses contrários a publicação de um artigo que punha em xeque o valor moral de uma instituição milenar como a igreja, então é possível imaginar o imenso volume de trabalho e persistência que exigiu daquela equipe, uma reportagem do tipo, muitas vezes tomava 1 ano de dedicação para ser coberta.

Retratado no começo dos anos 2000, o filme contrasta com a atual situação do jornalismo investigativo. As edições por todo o mundo, até o início do século, ainda possuíam saúde financeira para sustentar equipes como a Spotlight, e citando a própria obra cinematográfica, eram o motivo pelo qual jornalistas fazem jornalismo.

Agora, vivemos em um mundo muito dinâmico, em que as mudanças acontecem mais rapidamente que nossa capacidade de prever benefícios e malefícios. Resumindo, aqui está o que aconteceu nos últimos 15 anos:

Publicidade, que sempre foi a principal fonte de receita das empresas de notícias, migrou da impressão física dos jornais, não para suas edições digitais, e sim para o Google e Facebook. Portanto, a grana que sustentava as caras investigações como retratada em Spotlight, agora pertence aos dois gigantes do vale do silício.

Isso não é um fenômeno brasileiro ou norte americano apenas, jornais de todo o mundo não conseguem mais sustentar a mesma qualidade que operaram durante quase um século. Porém, o mais assustador é não haver um substituto.

O Facebook é uma empresa de mídia que não produz mídia, porém capta toda a receita que os produtores de conteúdo atraem. Consequentemente, como os atuais donos de toda a receita publicitária que antes eram dos jornais, eles não possuem a responsabilidade social de sustentar uma equipe de jornalismo investigativo própria?

Sem dúvida, o alto escalão desse “jornal dos jornais azul” — Facebook — é formado por pessoas muito inteligentes e que sabem de coisas que eu não sei. Certamente já refletiram sobre a questão que estou levantando aqui e aparentemente decidiram continuar com o processo de extinção do jornalismo investigativo sem propor um papel substituto. Ofício esse que novamente afirmo ser um trabalho social e não somente capitalista.

Agora o que nos resta perguntar é por que não criam ao menos sua própria equipe de investigação? Sem dúvida, capacidade financeira eles tem de sobra. Realmente gostaria de saber a explicação razoável que eles provavelmente possuem.

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