Precisamos falar sobre: Foxcatcher

Todo ano me proponho a assistir os filmes indicados ao Oscar antes da premiação. É difícil acontecer de sair a lista de indicados e eu já ter assistido alguns. Até porque, em alguns casos, no Brasil as estreias são em datas diferentes. É comum alguns filmes entrarem em cartaz após a divulgação da lista — os cinemas lotam, a procura é grande.

Daí eu assisti Foxcatcher.

Eu não esperava nada do filme, ele tava na lista de indicados, eu não tinha escolha, segundo minha própria regra (que nunca cumpri ao pé da letra). Pois bem, agora são exatas 01:44 hs da madrugada e eu não consigo pegar no sono. Acontece que cheguei de uma viagem de 6 horas, exausto, tomei um banho e fui assistir um dos filmes da lista antes de dormir — abençoados sejam os torrents. Isso foi há 3 horas atrás. Achava que iria pegar no sono durante o filme, afinal, meu corpo e minha mente pediam algumas horas de descanso — e com razão. Pois bem, o filme acabou e eu não consigo desligar minha mente. E nesse momento não há ninguém online (mas é cedo!) para eu discutir sobre o filme. E eu preciso falar sobre Foxcatcher.

Vocês lembram do Kevin, certo? De Precisamos Falar Sobre o Kevin (2011). Esse filme mesmo, que deixou todo mundo boquiaberto. Se você não assistiu, assista. Mas não assista Foxcatcher.

Não assista Foxcatcher.

O filme já acabou faz algum tempo, e eu não consegui parar de pensar nele. Preferiria não ter assistido. Será que ele é classificado como suspense? Mas é um drama… Assisti-lo antes de dormir não deve fazer bem. Meu coração está acelerado (sem exageros) e ainda não aguentei o baque. E olha que eu estava reclamando comigo mesmo da direção do filme. Não me lembro de ter ficado tão nervoso assim com alguma outra película. A Pele Que Habito (2011) me deixou igualmente surpreso e apavorado, mas poxa, era Almodóvar. Eu conhecia o Almodóvar, esperava algo do gênero, mas do Bennett Miller, que eu nunca tinha ouvido falar, por que diabos eu deveria me preparar? Ele dirigiu O Homem Que Mudou o Jogo (2011 — por que todos os filmes aqui são de doismileonze? ué…), mas nem me chamou atenção. Mas Foxcatcher, minha nossa, não assista. É um suspense velado, com uma tensão frequente, incômoda. Esse diretor filho da mãe.

Foxcatcher me incomodou muito. Vai me incomodar por alguns dias. E eu não tinha sequer nenhum interesse no roteiro. Meus amigos me mandarão calar a boca, mas poxa vida, precisamos falar sobre o Foxcatcher. Não esqueça esse nome. Provavelmente a performance do Steve Carell não será esquecida (está concorrendo a Oscar de melhor ator, mas não vai levar — tem o J.K. Simons na parada). O Mark Ruffalo (não, não é Hulk dos Vingadores, ele é bem melhor que isso) finalmente fez um grande filme. Está gigante. Foxcatcher deve levar a estatueta de melhor maquiagem. Dúvido que ganhe o prêmio de melhor roteiro, mas veja bem, é baseado em fatos reais!

Sim, Foxcatcher é baseado em fatos reais. E é difícil acreditar que isso aconteceu. Eu gostaria que não fosse. Assim, todo mundo questionaria o roteiro e a trama não passaria de um delírio fantasioso — e bacana. Mas aconteceu, e isso, pra mim, é bastante perturbador. Se você não quer ficar perturbado, não assista Foxcatcher.

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